Cresce a rotatividade no emprego

Economia aquecida impulsiona o número de profissionais a deixar o trabalho ou que são demitidos, diz Dieese

danielsilva

23 de novembro de 2011 | 10h10

MARÍLIA ALMEIDA

O aquecimento da economia brasileira impulsiona o aumento da rotatividade no mercado de trabalho, ou seja, mais trabalhadores se desligaram ou foram demitidos e substituídos pelas empresas.

Desde 2001, a taxa de rotatividade passou de 45% para 53,8%, um crescimento de 10,8 pontos porcentuais, de acordo com pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Isso significa que, de cada 100 contratos de trabalho (vínculos empregatícios) do estoque médio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, entre 2008 e 2010, aproximadamente 50 correspondem ao volume de desligamentos substituído pelo volume de admissões equivalentes.

Caso sejam descontados quatro motivos de desligamentos decorrentes de transferência, desligamento a pedido do trabalhador, aposentadoria e falecimento, a taxa de rotatividade em 2010 cai a 37,28%, elevação de 2,78 pontos porcentuais com relação a 2001.

“O aquecimento da economia faz com que muitos trabalhadores busquem novas oportunidades no mercado e isso naturalmente aumenta a taxa de rotatividade”, afirma Antônio Ibarra, economista do Dieese.

Porém, o especialista alerta para a taxa que não considera demissões a pedidos do próprio trabalhador. “Ela é elevada e aponta que empregadores podem substituir funcionários por outros mais qualificados e que aceitem salários menores em um mercado mais competitivo. Funcionários admitidos ganham 8% menos do que os demitidos ganhavam, em média”, diz o economista.

A taxa de rotatividade está concentrada: 5% das empresas do País respondem por 60% da substituição de trabalhadores. “Isso significa que são estabelecimentos grandes. Casos de substituição de trabalhadores e achatamento salarial são observados em fusões. São necessários mais mecanismos para coibir demissões.”

Construção civil, agricultura e comércio têm as maiores taxas de rotatividade, pois são marcados pela sazonalidade, períodos nos quais há maior e menor demanda por produtos e serviços oferecidos. Já no setor de serviços, a taxa de rotatividade é de 38%; na indústria de transformação, 37%; e, na administração pública, 11%. O tempo médio de permanência no emprego no Brasil em 2009 era de cinco anos.

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rodrigo Leandro de Moura, aponta que o trabalhador deve aproveitar o bom momento e buscar novas oportunidades. “A chance do trabalhador mais experiente de encontrar um novo emprego é mais alta”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.