Governo lança crédito para a Copa de 2014

Empresas do setor de turismo terão R$ 650 milhões para projetos ligados ao torneio. São duas as opções de crédito. Na modalidade capital de giro, o empresário poderá financiar até R$ 500 mil em 36 meses, com 12 meses de carência

Redação

17 de dezembro de 2011 | 12h42

CAMILA DA SILVA BEZERRA
LUCIELE VELLUTO

Micro, pequenas e médias empresas com faturamento anual bruto de até R$ 25 milhões terão linhas de crédito especiais oferecidas pelo governo federal para investir em turismo e se preparar melhor para aproveitar oportunidades criadas pelo Mundial de 2014. O FAT Turismo Copa do Mundo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), na quinta-feira, e vai oferecer R$ 650 milhões a empresas localizadas preferencialmente nas cidades-sede.

São duas as opções de crédito. Na modalidade capital de giro, o empresário poderá financiar até R$ 500 mil em 36 meses, com 12 meses de carência. O valor será corrigido pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% e taxa adicional de juros de 9% ao ano.

Já na modalidade de investimento, destinada à formação profissional de funcionários, compra de máquinas e equipamentos e ampliação ou modernização dos estabelecimentos, o empresário poderá obter até 90% do crédito aprovado, cujo teto é de R$ 1,5 milhão por empresa.

Bares estão entre as empresas que têm direito a financiamento (Foto: JB NETO / AE)

O prazo de financiamento pode chegar a 84 meses, sendo 24 meses de carência. Assim como no capital de giro, será aplicada a TJLP, mais taxa de juros de até 6% ao ano.

Beneficiados
Além dos prestadores de serviços turísticos, como hotéis, guias e agências de viagens, restaurantes, locadoras de veículos, casas de espetáculos e outras empresas podem solicitar o crédito ao Banco do Brasil ou à Caixa Econômica Federal. Mas antes de procurar os bancos, as empresas devem se cadastrar no Cadastur, do Ministério do Turismo.

O professor de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes, acredita que as linhas de crédito voltadas para a Copa do Mundo têm taxas de juros interessantes para os pequenos empreendedores.

“São taxas que não são encontradas no mercado, principalmente para capital de giro. Além disso, as condições de prazo e carência tornam essa modalidade interessante”, diz o professor da ESPM.

Paliativo
Para o consultor do Sebrae-SP, Luiz Ricardo Grecco, a linha de crédito é atrativa, mas não resolve um impasse burocrático: facilitar o acesso ao financiamento. “Em termos de acesso, a nova resolução não apresenta novidade, pois as linhas são aprovadas pelos bancos. Não adianta o cliente pleitear um financiamento, porque existe um trabalho prévio a ser feito para que esta confiança seja estabelecida. No caso de investimentos, o empresário tem de materializar as ideias em um projeto para que o banco possa analisá-lo”, diz.

O integrante do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Carlos Alberto Safatle, critica a criação de uma linha de crédito financiada pelo governo voltada para o período de Copa. “Do ponto de vista de curto prazo, as pequenas empresas vão gerar emprego e receita para o governo. No entanto, no ponto de vista macroeconômico, não haverá continuidade de retorno desse investimento após o Mundial”, comenta.

“O País precisa de mais linhas de crédito e incentivo para pequenas empresas, mas para trabalhar em áreas de necessidade e em que o investimento trará retorno à população, como na construção de hospitais, por exemplo”, diz o conselheiro do Corecon-SP.

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