Vale concorre como pior empresa do mundo

É a primeira vez que uma empresa brasileira participa dessa votação. A Vale disputa o inglório título com a americana Freeport, a sul-coreana Samsung, a suíça Syngenta e a japonesa Tepco, que opera as usinas nucleares de Fukushima no Japão

Redação

11 de janeiro de 2012 | 15h54

MÔNICA CIARELLI

A mineradora Vale está concorrendo ao nada atraente título de pior empresa do mundo por uma premiação criada desde 2000 pelas ONGs Greenpeace e Declaração de Bernia, a Public Eye People’s. Também conhecido como o “Oscar da Vergonha”, o resultado da votação será revelado durante o próximo Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que acontece entre os dias 25 e 29 de janeiro.

É a primeira vez que uma empresa brasileira participa dessa votação. A Vale disputa o inglório título com a mineradora americana Freeport, o grupo financeiro Barclay’s, a empresa sul-coreana de eletrônicos Samsung, a suíça de agronegócios Syngenta e a companhia de energia Tepco, que opera as usinas nucleares de Fukushima no Japão, a mais votada até agora, com 8,5 mil votos.

A Vale está em quarto lugar, com 4,3 mil votos.

História
A indicação da mineradora é justificada no site da premiação por uma “história de 70 anos manchada por repetidas violações dos direitos humanos, condições desumanas de trabalho, pilhagem do patrimônio público e pela exploração cruel da natureza”.

Os organizadores condenam também o fato de a Vale, em abril do 2011, ter comprado uma participação no Consórcio Norte Energia, responsável pela usina de Belo Monte, no Pará. Procurada, a Vale não se pronunciou sobre a indicação.

No ano passado, a vencedora foi a empresa finlandesa de biodiesel Neste Oil, acusada de promover a destruição de florestas tropicais na Indonésia e na Malásia, com o aumento de demanda por óleo de palma, e colocando em risco os orangotangos, que já são uma espécie ameaçada.

Relatório
A empresa oferece anualmente um relatório de sustentabilidade, que está disponível no site da companhia na internet. Para 2012, a companhia prevê investir US$ 1,648 bilhão, sendo US$ 1,354 bilhão na proteção e conservação ambiental, e US$ 293 milhões em programas sociais. A cifra supera a estimativa feita para o ano passado, que era de US$ 1,194 bilhão.