Jovem quer ter negócio próprio

Pesquisa aponta que quase metade dos universitários quer evitar ter patrão. O capital inicial, que poderia representar um obstáculo parece não atrapalhar, principalmente quando organizações de fomento no mercado se tratam de ideias inovadoras

Redação

14 de janeiro de 2012 | 10h24

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Quase metade dos jovens universitários brasileiros quer virar empreendedor. É o que mostra um estudo realizado pela Endeavor, instituição que apoia empresas de alto crescimento, que notou a intenção em 48,2% dos estudantes. E o que poderia representar um obstáculo para eles — o capital inicial — parece não atrapalhar, principalmente quando se tratam de ideias inovadoras, que é o que mais interessa para organizações de fomento no mercado.

André Nazareth, de 26 anos, se formou em 2009 no curso de engenharia da computação e, durante a graduação, já pensava em abrir seu próprio negócio. Logo que concluiu o curso, fez um estágio de seis meses no Japão e retornou cheio de ideias. E o negócio — concretizado com mais três sócios de sua idade — parece ter dado certo. Pelo menos, não faltou patrocínio.

“Ganhamos R$ 300 mil em forma de investimentos, participando do concurso ‘Sua Empresa Vale R$ 1 milhão’, do Buscapé”, diz.

Estudantes universitários já consideram a abertura de uma empresa na faculdade (Foto: VIDAL CAVALCANTE/AE)

Os quatro jovens desenvolveram um aplicativo chamado Meu Carrinho para celular, que já serve para o sistema operacional Androide e funcionará também no iPhone em breve. A ideia é que o consumidor, quando estiver no supermercado, possa comparar preços do produto que quer comprar com outros de vários estabelecimentos diferentes. “O aplicativo escaneia o código de barras e te dá os resultados”, diz Nazareth.

O mito de que o jovem empreendedor não consegue desenvolver sua ideia no mercado sem capital próprio tem de ser quebrado, segundo Juliano Seabra, diretor de educação e pesquisa da Endeavor. “O empreendedor que tem vontade de fazer acontecer tem de querer solucionar um problema da sociedade”, explica ele.

“Muitos empreendedores que abriram um negócio no País, começaram com um recurso pequeno, de R 8 mil”, afirma. E o mercado está mais maduro para incentivar esse tipo de ação. “Podemos encontrar isso em competições de planos de negócios para estudantes (a que Nazareth participou é um exemplo) e em bancos como o Santander, que já tem um núcleo para o empreendedor com ideias inovadoras, com taxas reduzidas”, aponta.

Incubadora
A ESPM também já notou o crescimento dos alunos que já pensam em ter seu próprio empreendimento e formou uma “incubadora de negócios”, que funciona há menos de dois anos e pretende ajudar os jovens na empreitada. “Já temos mais de 100 projetos e 10 empresas que iniciaram no ano passado”, diz o professor de economia da instituição José Eduardo Amato Balian.

Para ele, o número maior de empreendedores, principalmente jovens, é positivo. “Criam empregos, compram softwares, alugam escritório. A expectativa que o mercado coloca neles é grande.”

O consultor do Sebrae-SP, Pedro Gonçalves, ressalta que 27% das empresas paulistas fecham no primeiro ano e 58% fecham até o quinto ano de vida, especialmente, por falta de planejamento e análise do mercado. “O jovem que considera esses pontos já sai na frente.”

E a universidade é um bom espaço para instigar esse preparo. O Sebrae informa que 49% dos empreendedores têm entre 25 e 39 anos, e 13% deles têm até 24 anos. “A taxa de sucesso independe da idade”, diz Gonçalves.

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