Preços de carros usados despencam

O carro usado, até há poucos anos um investimento, está a caminho de virar sucata. A desvalorização em relação ao zero quilômetro é tão veloz que analistas preveem um cenário similar ao de países desenvolvidos, onde o modelo com mais de dez anos é descartado

danielsilva

12 de fevereiro de 2012 | 23h00

CLEIDE SILVA

O carro usado, até há poucos anos um investimento, está a caminho de virar sucata. A desvalorização em relação ao zero quilômetro é tão veloz que analistas preveem um cenário similar ao de países desenvolvidos, onde o modelo com mais de dez anos é descartado.

A facilidade oferecida por bancos e montadoras na aquisição de carros novos e a frequência maior com que fabricantes atualizam seus modelos provoca distanciamento cada vez maior entre novos e usados. No período de dois anos, um automóvel chega a desvalorizar mais de um terço.

O que ainda dá sobrevida maior aos carros mais velhos é que eles são ‘exportados’ pelas metrópoles para as periferias.
Em 2009, um Vectra Elegance zero, da GM, por exemplo, custava R$ 56,5 mil. A versão um ano mais velha apresentava 13,6% de desvalorização e a de dois anos de uso, de 18,9%. Hoje, o Vectra novo sai por R$ 61 mil, enquanto o de um ano perdeu 24,9% do valor e o de dois anos perdeu 34,4%, segundo a consultoria Molicar.

Há casos de carros novos que chegam mais baratos que o modelo anterior, em razão da concorrência. O Honda Civic zero é vendido por R$ 69,5 mil. Em 2009, custava R$ 70 mil.

“A tendência é de um distanciamento cada vez maior”, confirma Vitor Meizikas, da Molicar. Para ele, o Brasil, como quarto maior consumidor mundial de automóveis novos, terá de seguir a lógica global da desvalorização mais acentuada. “Lá fora, carro com seis anos é considerado velho.”

Exceção
A lógica deixa de ser regra quando há uma crise. Nos Estados Unidos, a idade média da frota é de 10 a 11 anos, a mais alta da história. No Brasil, é de 8 anos e 8 meses, a mais baixa já detectada no País. Em 2010, 4% da frota brasileira tinha mais de 20 anos, participação que era de 9% em 2000.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, concorda que a ampliação do crédito permite a muitos consumidores “partirem diretamente para o zero”. Em 2004, para cada carro novo foram vendidos 4,8 usados. Hoje, a relação é de 2,7. Para George Chahade, da Assovesp (associação das lojas de usados), a forte desvalorização pode travar o mercado. “Se o consumidor não consegue preço pelo usado, não compra o zero.”