Nova restrições fazem dólar passar de R$ 1,80

Empréstimos no exterior com prazo de até cinco anos serão taxados com Imposto sobre IOF de 6%, segundo a medida anunciada pelo Ministério da Fazenda. A restrição maior ao crédito externo contribuiu para que o dólar fechasse 1,18% mais caro

Redação

13 de março de 2012 | 10h45

Eduardo Cucolo
Adriana Fernandes

Em mais uma tentativa de conter a entrada de dólares no Brasil e a valorização do real, o governo federal anunciou ontem a terceira restrição a operações cambiais em menos de duas semanas. Reforçou, ainda, que outras medidas para coibir a especulação com a moeda brasileira devem ser anunciadas a qualquer momento.

Empréstimos no exterior com prazo de até cinco anos serão taxados com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%, segundo a medida anunciada pelo Ministério da Fazenda. Até fevereiro, essa alíquota atingia apenas captações de dois anos. No dia 1º de março, o Palácio do Planalto estendeu o prazo para três anos. Ontem, fez a nova alteração.

A restrição maior ao crédito externo contribuiu para que o dólar fechasse a R$ 1,805, alta de 1,18%. No mês, a moeda já subiu 5,19%. No ano, ainda acumula queda de 3,42%. A alta recente nas cotações foi vista dentro do governo como sinal de que as medidas estão no caminho certo.

Segundo fontes da equipe econômica, a estratégia de defesa do real está se ampliando e o governo procura montar um plano mais forte para enfrentar a escalada da “guerra cambial”. Por isso, decidiu que era preciso “pesar a mão” na restrição a empréstimos externos e deixar o mercado em alerta sobre a possibilidade de mais mudanças, aumentando a imprevisibilidade.

A Fazenda afirmou, em nota, que a medida reforça a decisão de reduzir o fluxo de capital especulativo que entra no País, para lucrar com a diferença entre os juros nos países avançados e no Brasil. O governo também quis restringir a entrada de dólares para aplicações de curto prazo.