BB reduz juros mais uma vez

Taxa de juros de cheque especial e crédito pessoal para conta salário cai e linha com garantia é criada. Recomendação de especialistas em finanças é que o consumidor tente negociar a dívida atual, quitá-la e só depois fazer novas compras

Redação

05 de maio de 2012 | 08h53

GISELE TAMAMAR

O Banco do Brasil (BB) anunciou ontem sua terceira redução de juros no período de um mês. O corte atinge as taxas do cheque especial e do crédito pessoal para quem recebe o salário pela instituição. Para quem não se encaixa nesse perfil, o banco lançou uma linha de crédito com garantia do imóvel e reduziu as taxas da linha com veículo oferecido em garantia.

Duas medidas anunciadas são direcionadas aos clientes com conta salário na instituição federal e começam a valer a partir de segunda-feira e fazem parte do programa Bompratodos. No caso do cheque especial, a taxa passará de até 8,31% para a taxa única de 3,94% ao mês. Já o crédito pessoal (CDC Automático e CDC Renovação) terá a taxa máxima de 5,79% – reduzida para 3,94% ao mês.

A nova linha de crédito anunciada, que tem o imóvel como garantia, cobra taxa de juros entre 1,52% a 1,60% ao mês e oferece prazo de pagamento de até 180 meses. A linha é destinada para quem tem renda acima de R$ 6 mil. Mas para a pessoa não tem imóvel e renda suficiente pode dar um veículo como garantia. A linha teve taxa de juros média reduzida de 3,20% para 1,58% ao mês. Será possível financiar até 70% do valor do automóvel em até 58 meses. As novas condições entram em vigor a partir do dia 27.

Para o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Grisi, as taxas sofreram novas reduções justamente por terem garantias nas transações, como o salário depositado em conta, o carro e o imóvel, o que dá mais segurança para o banco emprestar.

Segundo Grisi, o movimento de redução dos juros beneficia o consumidor, que encontra um barateamento dos produtos, já que o custo do financiamento cai. O alerta fica por conta de novas aquisições que o consumidor queira fazer. A recomendação é tentar negociar a dívida atual, quitá-la e só depois se planejar para fazer novas compras e empréstimos.

O coordenador do Núcleo de Conjuntura Econômica da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Erivaldo Vieira, ressalta que o Brasil vive um cenário de concorrência entre os bancos, o que é positivo para o consumidor. Mas como ele acredita que esse movimento de reduções ainda não chegou ao fim, a recomendação é esperar um pouco mais para fechar um contrato ou trocar de banco.

Vieira aconselha o consumidor ter atenção para ver se preenche os requisitos a fim de conseguir a taxa mínima cobrada pelos bancos, que colocam condições para aprovação do crédito. Além disso, quem tem planos de fazer a portabilidade da dívida deve fazer simulações e verificar as taxas de cadastro e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Não se deve considerar apenas os juros”, diz.

Com a intenção de facilitar a transferência de dívidas de financiamento de veículos para o banco, o BB fez mudanças em sistemas e processos. A partir do dia 27, é o BB quem vai liquidar a dívida do cliente no outro banco. Depois, recalcula as condições do empréstimo para o tomador já com as taxas menores. A taxa mínima para o financiamento de veículos do banco federal é de 0,95%.

O interessado em levar o financiamento para o BB precisa atualizar o cadastro, para saber seu limite de crédito e pedir a transferência da dívida. A instituição financeira cuida das mudanças, que até agora ficavam a cargo do próprio cliente. Na semana que vem o banco estatal promete anunciar um corte de juros para empresas e redução de taxas de administração de fundos de investimento.