Com menos promoções, viajar de avião está mais caro

Preços dos bilhetes subiram 3% entre janeiro e abril ante 1,6% da inflação no mesmo período. Oferta menor de descontos, redução no número de voos, alta do dólar e do petróleo aumentaram as tarifas para o consumidor

danielsilva

31 de maio de 2012 | 23h00

SUZANE G. FRUTUOSO

Menos oferta de promoções, redução do número de voos das principais empresas aéreas do País e demanda em alta por parte do consumidor deixaram as viagens de avião mais caras. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra bem esse quadro: as passagens aéreas subiram 3% ante o índice geral da inflação de 1,6% entre janeiro e abril deste ano. Foi o primeiro aumento registrado para o período em cinco anos.

Significa que quem não antecipou a compra das passagens para as férias de julho corre um risco maior de pagar tarifa cheia. Isso se ainda encontrar ofertas para o destino que deseja. Em abril a Gol demitiu 130 funcionários e cortou 80 voos diários. A TAM também anunciou a redução de 2% da malha aérea, mesmo prevendo uma expansão de até 9% na demanda de passageiros.

“São menos passagens baratas no mercado e uma quantidade cada vez maior de pessoas querendo viajar”, diz Edmar Bull, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). Segundo a Gol, na composição dos preços dos bilhetes vários itens são analisados, entre eles os custos da empresa, expectativa de demanda e de resultado.

O dólar tem sua parcela de impacto na infraestrutura das aéreas já que combustível e peças das aeronaves são negociados na moeda estrangeira. Esse custo é repassado no valor final das passagens. E nesse caso, na possibilidade de promoção.

“Estamos diante do cenário de pressão nos custos operacionais por conta de um petróleo em patamar elevado e uma taxa de câmbio do real frente ao dólar desfavorável”, informa a assessoria da Gol.

Mas as promoções não acabaram, segundo a companhia. Na compra do bilhete aéreo com um mês de antecedência sempre será possível encontrar tarifas interessantes, garante a empresa. “É importante dizer que as tarifas baixas estão no DNA da Gol e a companhia não mudará essa estratégia bem-sucedida”, afirma Eduardo Bernardes, diretor comercial da companhia. “A empresa mantém o compromisso de oferecer preços competitivos com os cobrados pelas empresas de ônibus interestaduais em todos os destinos que opera.”

Pacotes
Quem prefere adquirir um pacote de turismo enfrenta menos problema. A CVC, maior operadora do País, afirma que os preços não mudaram desde janeiro. A empresa negocia todos os valores com antecedência com seus fornecedores, o que já garante preços competitivos e a possibilidade de segurá-los por um ano. Porém, continua valendo a regra de não encontrar mais a viagem dos sonhos quanto mais perto da data desejada de embarque.

Com a subida do dólar, que chegou a 5,82% em maio, de acordo com o Banco Central, os destinos internacionais encareceram. Mesmo que um pacote custe US$ 500 hoje como era em janeiro, a oscilação da moeda o deixou mais caro em real. Somado a isso, é bom lembrar que em alta temporada preços de serviços e hotéis sobem até 10%.

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