Autônomo formalizado ganha mais

É o que indica um estudo do Sebrae. Metade dos entrevistados declararam ter faturamento maior após o registro; 52% passaram a ter maior controle sobre as contas; e 70% disseram que, nos próximos anos, devem ganhar mais de R$ 60 mil anuais

danielsilva

08 de agosto de 2012 | 23h00

JOSÉ GABRIEL NAVARRO

Formalizar o negócio aumenta o faturamento de microempresas e de empreendimentos individuais. Essa é a conclusão de uma nova pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Brasileiras (Sebrae). A maioria dos consultados diz que consegue faturar mais, gerir melhor seus negócios e ter expectativas de aumento de renda.

Segundo o estudo, 55% dos 11,5 mil entrevistados declararam ter faturamento maior após o registro; 52% passaram a ter maior controle sobre as contas; e 70% disseram que, nos próximos anos, devem ganhar mais de R$ 60 mil anuais. O valor é o máximo permitido pela licença de microempreendedor individual (MEI).
Hoje o Brasil tem 2,5 milhões desses autônomos. “A previsão é de chegar a 2,9 milhões até o fim de 2012. Em julho de 2014, serão 4 milhões, ou seja, a categoria majoritária de empresas no País”, conta o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Por outro lado, micro e pequenas empresas lideram o índice de pedidos de falência no País. Em julho, por exemplo, o segmento foi responsável por 110 (55%) dos 200 requerimentos de falência registrados. Os dados são da consultoria Serasa Experian.
A esteticista uruguaia Maria Alejandra Ortuño, porém, está otimista. Aos 60 anos de idade e 40 de Brasil, Sandra, como é conhecida por aqui, decidiu deixar o trabalho em salão e apostar na carreira solo. “Antes havia muita burocracia para se formalizar. Mas, ultimamente, eu não aguentava mais desaforos de patrão e senti que chegou o momento”, diz ela em seu novo espaço, alugado no Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo, bairro onde criou clientela.
Sandra se registrou por meio do site www.portaldoempreendedor.gov.br. Ela afirma que o novo faturamento não superou os antigos ganhos como funcionária. No entanto, culpa o inverno, época em que as freguesas se preocupariam menos com depilação e pintura das unhas dos pés. “Sei que, no verão, vai aumentar a vaidade das mulheres e elas vão procurar mais meus serviços.”
Há casos em que a formalização abre portas para se trabalhar com outras empresas. A tradutora Amanda Cordeiro, de 25 anos, se registrou para obter o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e prestar serviços a uma firma que exige o documento dos colaboradores. “Posso agora ampliar a carteira de clientes que não aceitam prestadores de serviços sem CNPJ”, explica Amanda. Em breve, ela vai trabalhar também como servidora em Campinas (SP), onde mora.
MEIs também podem ter governos como clientes. Só a União compra cerca de R$ 15 bilhões por ano de pequenos negócios. “Mas o mercado é muito maior, inclui administrações estaduais e municípios”, diz Barretto, do Sebrae. ::

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