‘Newsweek’ acaba com a versão impressa

A revista fará uma transição para o formato digital no início de 2013. Como parte desta transição, a última edição impressa nos Estados Unidos será no dia 31 de dezembro

Redação

19 de outubro de 2012 | 06h00

Gustavo Chacra

Depois de quase 80 anos nas bancas de jornais e na porta das casas dos americanos todas as semanas, a ‘Newsweek’ anunciou ontem que suspenderá, a partir de 31 de dezembro, a publicação da versão impressa da revista, uma das mais importantes dos Estados Unidos, concentrando seus esforços em outras plataformas, como os tablets.

A decisão foi anunciada em comunicado divulgado ontem por Tina Brown, editora-chefe do grupo Newsweek – Daily Beast, um site popular de notícias e comentários que se fundiu com a revista no fim de 2010 e serve atualmente como o braço na internet da publicação.

A Newsweek fará uma transição para o formato digital no início de 2013. Como parte desta transição, a última edição impressa nos Estados Unidos será no dia 31 de dezembro. Ao mesmo tempo, a Newsweek expandirá ainda mais a sua crescente presença em plataformas como tablets e na internet, “além de parcerias internacionais em eventos de negócios”, afirmou Brown em comunicado conjunto com Baba Shetty, presidente da empresa. A empresa lembra que o número de tablets, como o iPad, se elevou de 13 milhões para 70 milhões em dois anos. Na transição, deve haver cortes nas redações.

Circulação
Nos últimos anos, a circulação da Newsweek vinha caindo. Em 2001, a tiragem era de 3,16 milhões. Dez anos mais tarde, em junho, havia despencado para 1,5 milhão, menos da metade. A revista Time, sua principal, concorrente, depois de uma queda inicial, tem visto a sua circulação por meio de vendas e assinantes se manter estável, caindo apenas 2,9% em 2012, com cerca de 3,3 milhões de exemplares, segundo dados do Departamento de Circulação Auditada dos Estados Unidos.

Analistas e a própria Newsweek atribuem a queda ao crescimento da importância da internet, com muitos leitores optando por buscar as suas informações em sites. “Atualmente, cerca de 39% dos americanos buscam notícias online”, disse o comunicado da revista, citando estudo do Pew Research Center. De acordo com a própria direção da Newsweek ontem, também houve redução no número de anúncios.

Diversos jornais regionais americanos decidiram suspender as edições impressas, concentrando-se apenas na internet. O mesmo se aplica, anos atrás, à tradicional revista US News and World Report, que hoje apenas publica edições especiais.

O site Daily Beast, por outro lado, tem um acesso de 15 milhões de visitantes únicos por mês, um crescimento de 70% no último ano.

Este cenário de queda não é geral. Revistas semanais, como a New Yorker, têm observado um movimento inverso ao da Newsweek e cresceram em circulação nos últimos anos. Em 2012, a tiragem da New Yorker aumentou 2,2%, para 1 milhão, quase alcançando a Newsweek, embora seja uma publicação voltada para um público mais intelectualizado e de cidades como Nova York w Washington, com pouca penetração no interior americano.

A revista britânica The Economist também cresceu nos EUA e, embora não seja americana, tem uma circulação de 766 mil exemplares.
Até 2010, a Newsweek pertencia ao grupo do Washington Post. Naquele ano, o milionário Sidney Harman comprou a revista por apenas US$ 1, assumindo dívidas. Meses depois, decidiu se fundir com o Daily Beast, de Brown. Em 2011, Harman morreu e, recentemente, seus filhos decidiram deixar de investir na revista.

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