BC intervém no BVA, sétimo banco a quebrar no País nos últimos dois anos

Uma fiscalização mais detalhada no BVA este ano mostrou vários problemas na contabilidade. As irregularidades detectadas até o momento podem levar a processos administrativos contra controladores e ex-administradores

Redação

20 de outubro de 2012 | 06h00

Eduardo Cucolo
Leandro Modé

O Banco Central (BC) interveio ontem no banco BVA, que tem 0,17% dos ativos do sistema financeiro nacional e é voltado para o segmento de pequenas e médias empresas. Trata-se da sétima instituição financeira que quebra no Brasil desde novembro de 2010, quando o Panamericano iniciou esse processo. De lá para cá, também sucumbiram Schahin, Morada, Prosper, Cruzeiro do Sul e a financeira Oboé.

Uma fiscalização mais detalhada no BVA este ano mostrou vários problemas na contabilidade. O Estado apurou que, a princípio, não há fraudes nos números do banco. As irregularidades detectadas até o momento podem levar a processos administrativos contra controladores e ex-administradores, que já estão com bens indisponíveis. Se o interventor encontrar indícios de crime, encaminhará denúncia ao Ministério Público.

A intervenção decretada ontem não significa liquidação. O BC nomeou um interventor, que terá 60 dias para apresentar um relatório sobre as condições do BVA. Em tese, dependendo dos números e de uma eventual capitalização, o banco poderá voltar a funcionar. Mas a hipótese é remota e não há precedentes na história financeira do País.

Nos últimos dias, com o aumento dos saques de clientes, o BVA chegou a ficar com o patrimônio negativo de R$ 580 milhões, o que motivou a intervenção. O rombo total beirava R$ 1,2 bilhão. Como o patrimônio de referência estava em R$ 650 milhões, a instituição precisava de uma capitalização de ao menos R$ 600 milhões. O Estado apurou que os sócios estavam perto de finalizar um aporte de R$ 630 milhões.

Com a intervenção, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vai honrar cerca de R$ 1,1 bilhão em depósitos – R$ 1 bilhão dos chamados Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE) e quase R$ 100 milhões de clientes com até R$ 70 mil cada um.

No governo, as dificuldades do banco são atribuídas ao modelo de negócios, com empréstimos de alto risco e prazos longos, diante de um passivo de curto prazo. O BVA chegou a cogitar uma mudança de foco, mais voltado para prestação de serviços financeiros do que para empréstimos para pequenas e médias empresas, mas a intervenção do BC chegou antes.

O banco não havia divulgado balanço auditado em 2012, em razão de problemas com a auditoria. Os dados entregues ao BC, referentes a junho de 2012, mostravam perda de quase R$ 100 milhões no primeiro semestre.
Para a agência de classificação de risco de crédito Fitch, a intervenção não deve ter impacto relevante no sistema bancário. “É um banco que tem menos de 0,2% dos ativos de todo o setor”, disse Robert Stoll, diretor da Fitch. “Isso não deve ser visto como um problema sistêmico, mas como um evento isolado do qual não esperamos repetições.” / COLABOROU ANGELO IKEDA

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