Comércio ajuda consumidor a limpar o nome

Bancos e lojas fazem um esforço inédito para renegociar dívidas de inadimplentes, os juros básicos do País estão no menor nível da história e parte dos brasileiros troca dívida cara por barata.

Redação

22 de outubro de 2012 | 22h04

Bancos e lojas fazem um esforço inédito para renegociar dívidas de inadimplentes, os juros básicos do País estão no menor nível da história e parte dos brasileiros troca dívida cara por barata. Mesmo assim, a expectativa é de crescimento moderado de vendas para este fim de ano. As projeções de entidades representativas do varejo apontam para uma alta entre 2% e 5% no faturamento neste Natal em relação ao de 2011.

A dificuldade do consumidor de acelerar as compras, especialmente de itens de maior valor, fica nítida na fotografia tirada pelo Banco Central (BC), que mostra o impacto da ressaca do consumo acelerado dos últimos meses. Em julho, o dado mais recente, quase um quarto (22,44%)da renda das famílias estava comprometido com dívidas, a maior marca da série iniciada em 2005. Em outras palavras, um terço da população, ou 60,9 milhões de pessoas, tinha dívidas no mês passado. E, por dois meses seguidos, julho e agosto, a inadimplência média do consumidor se mantém em 7,9%.

Os consumidores começaram a fazer a sua parte. Em busca de juros menores, levaram R$ 708,9 milhões de dívidas de um banco para outro, em setembro, segundo o BC. O montante é o dobro do registrado nas estatísticas de portabilidade do sistema financeiro em setembro de 2011e a maior cifra mensal desde novembro de 2010.

Também no mês passado, a renegociação deu um salto. Em setembro, 580 mil paulistanos inadimplentes foram reabilitados para o consumo. O número é 25,5% maior que no mesmo mês de 2011, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De janeiro a setembro, 3,9 milhões deixaram a lista do calote, uma alta de 9,6% ante igual período de 2011. A Boa Vista Serviços, empresa de informações financeiras, não revela quantos renegociaram dívidas, mas diz que em setembro houve acréscimo de 17,3% nesse indicador, a maior variação anual desde janeiro.

“Estamos resolvendo o problema de caixa do consumidor, a fase é de saneamento. Portanto, no último trimestre o consumo não será nada espetacular”, diz o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas.
Pela primeira vez, o birô de crédito Serasa Experian decidiu organizar mutirões para renegociar dívidas atrasadas. “Diante do crescimento da inadimplência, decidimos tomar algum tipo de ação para promover o encontro entre devedores e credores”, conta o superintendente de Informações sobre Consumidores da empresa, Vander Nagata.

Até agora foram dois mutirões, um em julho e outro na semana passada, ambos na capital paulista. Até novembro, mais três: Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. No evento de julho, 40 mil pessoas compareceram ao feirão e os descontos para dívidas antigas variaram de 70% a 80%. E o número de empresas credoras que aderiram ao feirão também cresceu.
A Boa Vista Serviços, concorrente da Serasa Experian, também acelerou os mutirões de renegociação de dívidas. “Até agora houve quatro, mas até dezembro chegaremos a 15 nas capitais e cidades do interior de São Paulo”, diz o diretor de Sustentabilidade da empresa, Fernando Cosenza. Em 2011 foram só dois.

Nos dois mutirões até agora, um em Paraisópolis e outro em Itaquera, houve 250 mil atendimentos e 54 mil renegociações. Segundo Cosenza, o número de empresas dobrou, e o desconto na dívida chegou a 70%, o mesmo do ano passado.

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