Deborah Evelyn, fã das megeras

Ao 45 anos, a carioca Deborah Evelyn está encarando sua terceira megera na TV. Mas Eunice, de Insensato Coração, também marca a 12ª parceria da atriz com o marido, o diretor Dennis Carvalho, com quem é casada há 23 anos

Redação

07 Agosto 2011 | 22h45

(Foto: JF Diorio/AE)

MAIARA CAMARGO

 Ao 45 anos, a carioca Deborah Evelyn está encarando sua terceira megera na TV. Mas Eunice, de  Insensato Coração, também marca a 12ª parceria da atriz com o marido, o diretor Dennis Carvalho, com quem é casada há 23 anos. Longe da histeria da personagem, ela recebeu a reportagem do JT no palco do teatro Vivo, onde está em cartaz com Deus da Carnificina, no qual interpreta uma mãe amalucada. Bem humorada, deixou o jeito reservado de lado para falar sobre traição, drogas, religião e vaidade.

Além da Eunice, suas últimas personagens na TV eram megeras. Gosta desse tipo de papel?
Gosto. Eu já tinha feito muitas mocinhas quando o Gilberto (Braga, autor) me chamou para fazer Celebridade (2003). É muito bom não ter que ser politicamente correto. A Eunice tem as maluquices dela, mas também tem momentos de pura verdade. São personagens com mais nuances, que não precisam ser como o mocinho, que só bate na mesma tecla.

É seu 12º trabalho com Dennis Carvalho. Ainda se incomoda quando ele te critica?
Não. Eu gosto muito de ser dirigida e o Dennis é muito bom diretor. Antes de ficarmos juntos, já tínhamos feito duas coisas juntos: O Homem que Veio de Minas (1983) e Selva de Pedra (1986). Quando começamos a ficar juntos, ele estava fazendo Vale Tudo (1988) e eu, Vida Nova. Não sei se é porque ele também é ator, mas o Dennis é muito respeitoso com os atores. Se ele fala que alguma coisa não está boa, eu confio nele.

Você sentiu preconceito por ser mulher de diretor?
Na Globo, acho que só não trabalhei com o Guel (Arraes, diretor). Então, não senti preconceito. Mas acho que fiz um esforço para não me preocupar com isso. A vida é muito maior do que o trabalho. Se me apaixonei pelo Dennis e ele por mim, nos casamos, tivemos uma vida, isso é muito maior do que o trabalho que fazemos juntos, que é ótimo. Se as pessoas ficam falando que só trabalho com ele, problema delas, né?

Você é insegura?
Muito. Tenho muito problema de me ver na TV. Sempre acho que poderia ter ficado melhor, me critico.

Nos último tempos, seu marido fez declarações de amor a você. Você gosta?
Sou muito reservada. Nunca falei que casei, engravidei, nada. Agora, o que ele fez é uma coisa linda. Quando me homenageou no lançamento da novela, fiquei muito emocionada. Acho bom porque temos uma parceria, né?

Vocês estão há 23 anos juntos. O que mantém isso?
Estar junto é uma opção diária. A paixão passa. Então, é um dia de cada vez. Claro que existem problemas, existem outras pessoas. Não dá para você não sentir atração por outra pessoa em 23 anos. Quando essas coisas acontecem, é hora de botar na balança. Vale a pena abrir mão do que tenho com aquela pessoa por isso?

E você perdoaria uma traição?
Perdoaria, sim. Acho que é uma coisa que existe na humanidade. Quando eu era mais nova, via isso muito a ferro e fogo. Mas acho que muda com a maturidade. Agora, tem de fazer bem feito: não me conta e não me expõe. Tem de ser num lugar onde ninguém saiba quem eu sou, o que, no nosso caso, dificulta um pouco, né? (risos)

Você é sobrinha da Renata Sorrah. Ela te influenciou a ser atriz?
Eu sempre quis ser atriz. Mas isso não era um bicho de sete cabeças porque eu tinha acesso a esse mundo. Eu e a Renata somos muito próximas. Quando eu era pequena, lembro de ir ver uma gravação de Brilhante (1981), em que o Dennis fazia o marido dela (risos). Lembro da peça Vagas para Moças de Fino Trato (1975), com a Renata, a Yoná Magalhães e a Gloria Menezes. Eu via da coxia e achava aquilo incrível.

Você é vaidosa?
Sou, mas numa medida ok. Hoje em dia, existe uma certa neurose com a estética. Acho que você tem de cuidar do corpo, mas isso não pode ser o principal da vida. Ator com botox eu não entendo. Como o ator bota uma coisa que tira a expressão? Acho loucura.

Preocupa-se em envelhecer?
Eu me preocupo de envelhecer bem. Não tenho vontade de ficar dependente de alguém ou doente. Mas, apesar de não ter problema com a idade, sinto que tenho uns 30 anos, 27 (risos). Às vezes, a passagem do tempo me dá ansiedade, porque não terei tempo de fazer tudo que quero. Já sei que não vou ler todos os livros que quero nessa encarnação.

Você acredita em reencarnação? Tem alguma religião?
Infelizmente, não. Acho que é uma coisa que ajuda, mas não tenho. Fé é uma coisa que ou você tem ou não tem. E eu nasci sem fé.

Não acredita nem em Deus?
Não. Como será esse Deus? Vou adorar se existir. Vai ser uma surpresa boa encontrar as pessoas queridas que já perdi.

Na televisão e no teatro, você está vivendo mães neuróticas. Que tipo de mãe é você?
Amo ser mãe. É o maior prazer que tenho. Eu e minha filha (Luiza, de 18 anos) somos muito próximas. Viajamos juntas, passamos 6 meses morando na Alemanha. O que não quer dizer que sou amiga dela. Mãe põe limite, põe de castigo.

Verdade que queria ter gêmeos?
Eu demorei para querer ter outro filho e a distância de idade seria grande. Então, pensei: vou ter gêmeos. Um faz companhia para o outro. Não é uma ideia genial? Minha grande amiga Betty Gofman teve gêmeos há pouco tempo. Agora, eu não sei. Praticamente, eu já sou avó, né? A Tainá (filha de Dennis) já teve filho.

O Dennis esteve envolvido com drogas. Como foi?
Foi muito duro. É uma doença muito séria. Você vê uma pessoa que ama se matando e não pode fazer nada se ela não quiser. Não adianta internar à força, a pessoa tem de querer. É muito cruel.

No meio artístico, é mais fácil se envolver com drogas?
Isso não existe mais. Acho que a sociedade faz errado quando tenta esconder as drogas. A melhor maneira de afastar o seu filho delas é falar que existem.

E você já experimentou drogas?
Nunca fumei na vida e bebo muito pouco. Eu já fumei maconha algumas vezes, mas não é a minha. Talvez, porque eu tenha essa preocupação de me cuidar para estar bem na velhice. A sensação de me cuidar é o que me dá barato.

Recentemente, o canal Viva exibiu ‘Anos Rebeldes’ (1992). Você viu?
Vi. Sabe que eu engravidei durante Anos Rebeldes e a personagem fumava muito? Na época, não existia esse cigarro de mentira. Então, eu comprava o cigarro mais fraquinho e fazia vários furinhos, por onde a fumaça saía.

Você teve anorexia na adolescência. Ainda hoje te perguntam se tem a doença?
Os mais próximos não, porque veem que eu como pra caramba. Mas já vi falarem disso na internet. Tenho tendência a emagrecer, que talvez seja até um reflexo por eu ter tido anorexia. Prefiro comida saudável. Eu como arroz e feijão em todas as refeições. 

Em ‘Páginas da Vida’ (2006), você fez a mãe de uma bulímica. Foi importante falar sobre isso?
Sim. Na época, a Luiza estava na escola e tinha uma amiga com anorexia. Também é uma doença psicológica. A pessoa precisa reconhecer que tem. Não é só dar uma remédio e colocar na cama.