A aventura do gato latino

A nova animação da Dreamworks, Gato de Botas, que estreia amanhã, é, assim como Shrek, uma mistura de lendas e histórias infantis. Presente nos filmes Shrek 2 e Shrek Terceiro, o felino dublado por Antonio Banderas interage com João, do pé-de-feijão, a Gansa dos Ovos de Ouro

Redação

07 Dezembro 2011 | 23h02


Por Felipe Branco Cruz

A nova animação da Dreamworks, Gato de Botas, que estreia amanhã, é, assim como Shrek, uma mistura de lendas e histórias infantis. Presente nos filmes Shrek 2 e Shrek Terceiro, o felino dublado por Antonio Banderas interage com João, do pé-de-feijão, a Gansa dos Ovos de Ouro e também com um desconhecido personagem no Brasil, porém famoso nas cantigas de ninar dos países anglófonos: o ovo falante Humpty Dumpty. “O Gato de Botas não é uma continuação de Shrek. Criamos um universo próprio para ele”, afirmou Antonio Banderas.

O ator espanhol visitou o Brasil junto com a mexicana Salma Hayek (que dubla a gata Kitty Pata Mansa), o diretor Chris Miller e o cofundador da Dreamworks Jeffrey Katzenberg no mês passado, e os quatro conversaram com a imprensa no Rio de Janeiro. “O Brasil tem quase 3 mil salas de cinema. É um mercado que não podemos ignorar”, disse Katzenberg, justificando a viagem. Banderas e Salma fazem as vozes dos dois gatos protagonistas em espanhol. Banderas também dubla em italiano. Na versão brasileira, a responsabilidade ficou por conta dos dubladores Alexandre Moreno (Gato de Botas) e Mirian Fisher (Pata Mansa).

Da história original do Gato de Botas, fábula do garoto que ganha um bichano como herança do pai, não há nenhuma referência. Aliás, no filme, o Gato não tem dono, é criado num asilo de uma pequena vila espanhola. “Até pensamos em contar a história do Gato como na fábula. Mas percebemos que poderíamos nos afastar desse mundo e criar o nosso próprio”, disse o diretor Chris Miller. “Na fábula original, o Gato é francês. O nosso é espanhol.”

As características marcantes do Gato, como seu carregado sotaque espanhol, a esperteza e a boa índole, serviram como inspiração para criar o universo onde ele habita: uma Espanha antiga, semelhante à descrita por Miguel de Cervantes em Dom Quixote. A proposta do longa é mostrar o passado do Gato, antes de viajar para a Terra de Tão, Tão Distante, onde vive Shrek. “O Gato é um amigo leal, mas também um canalha”, brincou Banderas.

Criado num asilo, o Gato faz amizade com o ovo falante Humpty Dumpty, que sonha em achar os feijões mágicos que os levariam até o castelo do gigante, nas nuvens. Lá, eles encontrariam os ovos de ouro que são botados por uma gansa. Na história original do Ovo Falante, Humpty Dumpty se equilibra num muro, pendendo cada hora a um lado. É assim a amizade do Ovo com o Gato, instável e cheia de traições. Já a gata Kitty Pata Mansa, dublada por Salma Hayek, é tão esperta e hábil com espadas quanto o Gato. Juntos, vão ajudar o Ovo Falante a roubar os feijões mágicos das mãos dos bandidos Jack e Jill. “Gosto da personagem porque ela não é melodramática. É ela quem salva o Gato. Pata Mansa é o contrário do clichê da mocinha, é um modelo de heroína para as meninas”, contou Salma.

O enredo pode parecer louco, mas, de forma curiosa, assim como em Shrek, tudo se encaixa. Gato de Botas é divertido, cheio de boas sacadas. É impossível não se apaixonar por Pata Mansa ou não dar boas gargalhadas com os desengonçados trejeitos do Ovo Falante. Outro destaque são os efeitos especiais. “O filme foi concebido para ser 3D”, disse Chris Miller. Duas cenas impressionam pela qualidade: uma é o encontro de Gato de Botas e Pata Mansa, num impagável duelo de dança. Outra, de tirar o fôlego, é a plantação dos feijões mágicos que brotam rumo ao céu. “No próximo filme, quem sabe Pata Mansa não dançará um samba com o Gato?”, gracejou Salma na visita ao Rio.

O resultado é mais uma animação primorosa da Dreamworks, com grandes chances de levar um Oscar pelos recursos tecnológicos. “Há quase dez anos interpreto o Gato de Botas. Adorei fazê-lo novamente”, concluiu Banderas.

Entrevista: Chris Miller

Chris Miller, de 36 anos, já é um veterano no ramo de animação. Ele foi roteirista dos filmes do Shrek e diretor do penúltimo título da franquia. Ele nem bem estreou com Gato de Botas e revelou que já pensa numa continuação. “Seria algo do tipo James Bond. Cada filme, uma aventura”, disse. Antonio Banderas já manifestou interesse em participar da sequência. Miller começou a carreira como roteirista em 1998 na Dreamworks. Desde então, trabalhou em diversas áreas, como desenhista e dublador. Ele falou com o JT:

Foi importante ter uma atriz que falasse espanhol para interpretar a gata?
Não foi algo consciente, nem foi com Antonio Banderas em Shrek. Ele criou essa persona. E com base nisso, veio o mundo espanhol, latino, num lugar de fantasia como o de Dom Quixote. É um tipo de conto de fadas latino. Teve influência mexicana, flamenca, latina, de tango e coisas do sudoeste dos Estados Unidos. Misturamos todas as expressões. O nome de Salma veio naturalmente.

Tecnicamente como você vê o 3D aplicado a esse filme?
Queríamos fazer desde o começo. O personagem pede um filme em 3D. Ele é pequeno, então podemos trabalhar com os tamanhos. Criamos uma experiência em que fãs podem imergir na história.

O filme mistura muitos contos de fadas. Por que colocar todas essas referências?
A história faz um link com o universo de Shrek ao misturar vários contos. Mas queríamos ter certeza de que seria uma mistura diferente da feita em Shrek. Escolhemos as histórias imaginando as que poderiam ter a ver com o Gato de Botas. Em Shrek, tudo é mágico.

Você tem um personagem de conto de fadas favorito?
Monty Python. Mas esses não têm nada a ver com o filme (risos).

‘Gato de Botas’ terá, então, uma continuação? Tem fôlego para fazer a mesma carreira de Shrek?
Sim. Ele seria construído como um James Bond. Seriam varias aventuras contínuas. Mas precisamos pensar em boas histórias, é claro.