A sátira de Jô ao cinema noir

Não é novidade que Jô Soares é um fã absoluto de cinema, especialmente das antigas produções ao estilo noir. Agora, o apresentador, diretor, humorista, escritor e músico leva essa paixão ao palco, claro, pela via do humor. É dele a direção da comédia Atreva-se, que estreia hoje, no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, uma sátira aos velhos filmes de suspense em preto e branco

Redação

21 de junho de 2012 | 23h02

IGOR GIANNASI

Não é novidade que Jô Soares é um fã absoluto de cinema, especialmente das antigas produções ao estilo noir. Agora, o apresentador, diretor, humorista, escritor e músico leva essa paixão ao palco, claro, pela via do humor. É dele a direção da comédia Atreva-se, que estreia hoje, no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, uma sátira aos velhos filmes de suspense em preto e branco.

E isso vai dar a maior zorra. Explica-se: no elenco estão Marcos Veras e Mariana Santos, humoristas do programa Zorra Total. Completam o time as atrizes Júlia Rabello (mulher de Veras) e Carol Martin.

O convite de Jô para Veras – que ainda integrará o programa matutino da jornalista Fátima Bernardes, a partir da próxima semana – e Júlia surgiu após uma entrevista do casal no programa dele. A participação de Carol na atração também rendeu o chamado para se juntar à peça.

Apenas Mariana ainda não havia sentado no sofá do apresentador, “problema” que, segundo Jô contou na coletiva de imprensa para a apresentação do espetáculo, seria resolvido nesta semana. Atreva-se surgiu de uma ideia que o autor Maurício Guilherme, de quem Jô já dirigiu O Eclipse, colocou no papel há 20 anos.

Na gaveta por dez anos, ele só percebeu que tinha potencial de virar uma peça quando a amiga Luciana Sendyk leu, gostou e fez um primeiro tratamento do texto. Depois, ele mesmo fez algumas versões até chegar à atual, que brinca com os clichês do cinema noir, inclusive com a maneira pouco realista com que esses filmes costumavam ser dublados no País.

A trama, cheia de mistérios, se passa em uma mansão à venda, em 1963, negociada por um soturno corretor de imóveis a uma empolgada cliente. Durante a peça, a ação volta no tempo (para 1929) para focar os antigos moradores. Depois, avança aos anos 1940, para retomar à época inicial. “O trabalho difícil foi afinar o espetáculo para que tenha realmente aquele ritmo de corte de cinema. O tratamento é como se eu estivesse dirigindo um filme”, afirma Jô.

O detalhe é que, na concepção do diretor, tudo – cenário, figurino e iluminação – remete ao preto e branco. O cenógrafo Chris Aizner conta que usou poucas tonalidades, priorizando esses dois extremos. “Há uma brincadeira com a volumetria para ressaltar essas relações da cor e da luz”, diz ele.

Nesse jogo, entrou também o trabalho de iluminação de Maneco Quinderé. O figurino ficou a cargo de Fábio Namatame. “Dar metaforicamente o colorido para o preto e branco é muito difícil, para que não fique monótono. Procurei tons que, sobrepostos, parecessem que são de cores diferentes, mesmo sendo cinza”, explica.

Entre as referências cinematográficas para a sátira, destacam-se produções de Alfred Hitchcock como Rebecca, A Mulher Inesquecível e Psicose, além de Laura, de Otto Preminger, e Pacto de Sangue, de Billy Wilder. “E vários filmes do Humphrey Bogart fazendo o personagem Philip Marlowe, que geralmente eram com a Lauren Bacall”, completa Jô.

Veras faz três papéis: o tal corretor, um cadeirante dissimulado e um galã metido a Clark Gable. Júlia também defende uma trinca: uma mulher misteriosa e elegante, outra fria e calculista, e a terceira completamente louca. Carol interpreta a sinistra governanta da mansão e uma tenista sonhadora.

Já Mariana faz uma policial e a lanterninha que fica junto ao público e conduz a história – e é a única personagem “colorida”. “Ela vai tentar fazer com que a plateia entenda o que está acontecendo, mas ela mesma não está entendendo muita coisa”, diz a atriz sobre a personagem, inexistente no original e sugerida por Jô.