Abram alas para a metralhadora Tyler, The Creator

Causar impacto é uma arte. E a arte também é feita para causar impacto. Mas fazê-lo sem propósito é leviano. Se o rapper Tyler, The Creator caminha por esse lado, ou é um gênio, ainda é difícil cravar. Mas uma coisa é certa: ele sabe como impactar e lança o disco 'Goblin'

Redação

19 de julho de 2011 | 22h10

PEDRO ANTUNES

Causar impacto é uma arte. E a arte também é feita para causar impacto. Mas fazê-lo sem propósito é leviano. Se o rapper Tyler, The Creator caminha por esse lado, ou será considerado um gênio, ainda é difícil cravar. Mas uma coisa é certa: ele sabe como impactar.

E o faz de maneira pouco tradicional. Talvez por isso o impacto seja ainda maior. Nascido Tyler Okonma, na Califórnia (EUA), há 20 anos, o músico ganhou notoriedade com um conglomerado de rappers chamado Odd Future Wolf Gang Kill Them All, abreviado para OFWGKTA ou, apenas, Odd Future (ficamos com a última opção, daqui por diante, ok?), em 2007.

São um total de 12 músicos que começaram a chamar a atenção por trazerem uma levada mais sombria para as suas músicas e letras controversas. As apresentações ao vivo, sempre energéticas, chegaram à mídia especializada. O universo do rap foi balançado pelo Odd Future.

Tyler, The Creator é o filho mais famoso do grupo. Seu novo disco, Goblin, que chega agora ao país pela LAB 344, é o primeiro lançamento de um integrante de gravadora de respeito no exterior, a XL Recordings, selo conhecido por lançar nomes alternativos para o estrelato, como o White Stripes, do guitarrista Jack White, e o pop tribal do Vampire Weekend.

As letras do novo trabalho seguem um padrão: são escatológicas, pesadas, irônicas e podem causar a rejeição na primeira audição. Contam a história de um adolescente numa “América branca”. O que é autobiográfico e o que é ficção, é difícil dizer.

Mas os recados estão para todos os lados, logo na primeira música, chamada Goblin, Tyler, The Creator já alfineta o rapper Kanye West: “Desde que ele me retuitou para as pessoas, está jogando a minha m… no ventilador / Esses filhos da p… acham que podem me dizer o que fazer?” E, veja bem, esse é um dos versos mais calmos.

Cada canção tem pouca invencionice musical. São batidas aqui e ali. Faz sentido, é preciso prestar atenção na voz do rapper. É ali que está a preciosidade de Goblin. Na maioria das vezes, são notas ocasionais. Só em alguns momentos, o disco fica mais pretensioso. Mas tudo é um alicerce para suportar a dramaticidade.

Ainda assim, Goblin não é um disco fácil. Não se trata de algo que você coloca no tocador e vai fazer outra coisa. É preciso prestar atenção, passar de camada em camada. Mas, se prepare, você sairá chocado. Angustiado, no mínimo. E é exatamente o que esse sujeito de 20 anos, desbocado, quer fazer: chocar. Pode ser leviano, mas, convenhamos, já é melhor do que os 50 Cent que encontramos aqui e ali. ::

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