Eternamente Marilyn

Mesmo após 50 anos de sua morte, a diva do cinema continua onipresente. A partir de hoje, ela será lembrada em uma grande mostra em SP, no cinema, em série de Tv, livro e outras atrações mundo afora. E seus fãs incondicionais, como a atriz e cover Priscila Freitas, esperam ansiosos por cada uma

Redação

03 de março de 2012 | 22h15

MAIARA CAMARGO
MARCELA RODRIGUES SILVA

Ela não chegava no horário, deixava a equipe de filmagem esperando, abusava dos remédios e não era uma unanimidade no quesito atuação. Ainda assim, Marilyn Monroe (1926-1962), nome artístico de Norma Jeane Mortensen, era única. Mesmo após o mergulho na vida da diva, Michelle Williams, que a interpreta em Sete Dias com Marilyn, filme que estreia este mês, não sabe o que a fazia tão especial, mas reconhece que ninguém podia tomar o seu lugar. “Nunca houve alguém como Marilyn. Ela era insubstituível”, disse em entrevista a David Letterman. “Há algo em Marilyn que não podia ser duplicado.”

No ano em que a misteriosa morte da atriz completa 50 anos, sua cabeleira loira e a pinta sexy, que emoldurava seu rosto, estão mais presentes do que nunca. Por aqui, começa hoje a mostra Quero Ser Marilyn Monroe!, que traz uma série de obras inéditas que homenageiam a atriz. Também chegam às prateleiras a obra que inspirou o filme, um livro para colecionadores que une uma biografia de Marilyn às fotos de Bert Stern e, ainda, boxes com filmes da estrela. Na TV, a série Smash traz duas atrizes disputando o papel de Marilyn num musical.

E não é só no Brasil que a icônica figura está em alta. Na última semana, o Festival de Cannes, que acontece entre 16 e 27 de maio, divulgou o cartaz de sua 65ª edição. É Marilyn quem estampa o pôster do evento.
Diversos fatores podem tentar justificar a popularidade da atriz. O crítico Rubens Ewald Filho ressalta alguns deles. “A artista morrer cedo ajuda. Ter um caso com presidente e com o irmão dele, mais ainda. Também houve o escândalo da morte, suicídio ou assassinato. Tudo isso contribuiu”, afirma ele. “E tem outra coisa milagrosa. As fotos e a maquiagem dela não envelheceram. Ela está tão bonita agora, ou até mais, do que era.”

A história pessoal da atriz, que nunca conheceu o pai, teve a mãe internada por problemas mentais e passou a maior parte da infância em abrigos, também conquistou muita gente. É o caso da atriz Priscila Freitas, de 33 anos, que começou a fazer cover da diva aos 19 anos, quando sua mãe, dona de uma agência de covers, precisou de uma substituta para a função. “Fiquei encantada com a trajetória dela. Passei a pesquisar, tenho livros, a coleção completa de filmes, quadros, fotografias”, conta.

A atriz Priscila Freitas é cover e fã de Marilyn (Ernesto Rodrigues/AE)


Priscila concorda que a morte precoce deu mais força ao mito. “Há um mistério em torno de sua figura, que faz com que ela permaneça linda, um ícone.”

A quantidade de ‘Marilyns’ por aí é um convite a descobrir mais sobre o eterno símbolo sexual e tentar descobrir o que faz a persona de Norma Jeane atrair tanta curiosidade. FAÇA SEU ROTEIRO:

EXPOSIÇÃO:
Após passar por museus da Europa, Estados Unidos e Canadá, e atrair mais de 2 milhões de pessoas, começa hoje na Cinemateca Brasileira a exposição Quero Ser Marilyn Monroe!. A mostra reúne 125 obras de artistas consagrados, incluindo Andy Warhol, Allen Jones, Peter Blake, Richard Avedon e Henri Cartier-Bresson, que têm Marilyn como tema. Boa parte dos itens expostos nunca foi vista por aqui. Paralelamente, haverá a exibição de 15 filmes com a atriz no elenco. O evento segue em cartaz até o dia 1º de abril e deve receber 50 mil visitantes.
-Quero Ser Marilyn Monroe! Na Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso,
207 – 3512-6111)Até 1º/4. De segunda a domingo, das 10h às 22h. Grátis. Livre.
Programação completa no site: www. marilynmonroe.com.br.

NO CINEMA:


Inspirado no livro Minha Semana com Marilyn, que acaba de ser lançado por aqui (Ed. Seoman/
R$ 24,90), o filme Sete Dias com Marilyn (estreia prevista para o dia 23) mostra os bastidores do set de filmagens de O Príncipe Encantado, longa produzido em 1956 e dirigido pelo britânico Laurence Olivier. A história é contada a partir da visão de Colin Clark, que, na época, acabara de conseguir seu primeiro emprego na indústria cinematográfica como assistente de diretor.
Clark, que se tornou um documentarista, tinha 23 anos no período em que esteve com Marilyn. O papel do jovem ficou com Eddie Redmayne. Já Marilyn Monroe é vivida pela atriz Michelle Williams (foto), que, magrinha, precisou de enchimentos para ganhar as curvas da diva do cinema. Por sua atuação, este ano, ela ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e concorreu ao Oscar. O enredo tem um ar de conto de fadas. O resultado é bom, mas pouco surpreendente. Ao final, o destaque é mesmo Michelle, que recria a doçura e a loucura de Marilyn convicentemente.

NO TEATRO:
Foi o contato com trechos de gravações que Marilyn Monroe fazia para seu psicanalista que inspiraram a autora e atriz Daniela Schitini a criar o espetáculo Não Uma Pessoa, que está em cartaz na cidade. O próprio nome da peça foi retirado de um desses relatos da diva, em que ela reconhecia, muitas vezes, não se sentir gente. Sem caracterização, ela não assume a persona de Marilyn, mas mergulha, de alguma forma, no que seria a mente dessa mulher, revelando um pouco mais do que a figura sexy e montada.
Não Uma Pessoa. Teatro Augusta (Rua Augusta, 943. 3151-4141)
Espetáculos às quartas-feiras e quintas-feiras, às 21h. Até 15/3. R$ 20. 14 anos.

PARA VER EM CASA 1:
De olho nos novos e antigos fãs de Marilyn Monroe, a Fox acaba de lançar um box comemorativo que agrupa 13 filmes estrelados pela atriz. A edição especial pode ser encontrada apenas nas lojas Fnac. Além disso, também chega às lojas em geral a coleção Diamante. São dois volumes, cada um com sete longas-metragens.
As caixas contam ainda com uma série de extras, incluindo trailers, galeria de fotos, documentários e cenas de bastidores. Os boxes têm clássicos, como Os Homens Preferem as Loiras (1953), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Adorável Pecadora (1960). R$ 199 (13 filmes)

PARA VER EM CASA 2 :
Com produção de Steven Spielberg, estreia no dia 28, no Universal Channel, Smash. A série mostra os bastidores de um espetáculo da Broadway. Na trama, uma produtora interpretada por Anjelica Houston se une a dois compositores (Debra Messing e Christian Borle) para montar um musical sobre a vida de Marilyn Monroe. O programa acompanha a disputa entre Ivy Lynn (Megan Hilty), uma atriz experiente, e Karen Cartwright (Katherine McPhee), uma garota do interior que sonha ser artista, pelo papel de protagonista no musical.

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