Jay Vaquer contra as incoerências do mercado

São 11 anos de carreira e o carioca Jay Vaquer, de 36 anos, se encontra num limbo entre o alternativo e o mainstream. “Acho que eu fico flutuando no meio desses mercados. É duro”, confessa o músico. Ele lança o seu quinto álbum de estúdio, Umbigobunker!?, pelo selo Lab 344

Redação

21 Agosto 2011 | 22h35

PEDRO ANTUNES

São 11 anos de carreira e o carioca Jay Vaquer, de 36 anos, se encontra num limbo entre o alternativo e o mainstream. “Acho que eu fico flutuando no meio desses mercados. É duro”, confessa o músico. Perdido entre dois mundos, o filho de músicos – sua mãe é a cantora paraense Jane Duboc –, ele sobrevive como pode, mantendo-se compondo e, sempre que possível, gravando.

Umbigobunker!? é o nome de seu quinto álbum de estúdio, sexto da carreira, lançado agora pelo selo carioca de música alternativa Lab 344 – é o primeiro artista nacional da empresa que trouxe para o Brasil, recentemente, os últimos trabalhos de Friendly Fires, Two Door Cinema Club, Anna Calvi e Warpaint. “Eles foram ótimos comigo e estão fazendo o possível”, elogia Vaquer.

Contando com os discos de inéditas e o ao vivo, Alive in Brazil (2009), a média é de um disco em menos de dois anos. Mas, ainda assim, diz o músico, é pouco perto do fluxo natural de composições. “Existe uma defasagem muito grande entre a criação e o tempo que eu levo para colocar todo esse bloco na rua”, explica.

“Num processo natural, sem forçar, sem parar e me dedicar só a isso, componho cinco músicas que me agradam em seis meses. Então, faça as contas, em dois anos, tenho 20 músicas prontas para gravar”, diz. Para o Umbigobunker!? ele se viu diante de 40 canções, e reduziu esse número para 14. “Eu sinto necessidade de abrir essas comportas, mas nem sempre é possível”, lamenta Vaquer.

O disco foi produzido pelo badalado Moogie Canazio, que já trabalhou com um leque de importantes artistas nacionais, como Maria Bethânia, Caetano Veloso e João Gilberto. O produtor e o músico se conheceram em 2007. “Ele falou que queria trabalhar comigo”, conta Vaquer. Na ocasião, ele estava lançando o álbum Formidável Mundo Cão, lançado pela EMI. A parceria emplacou no novo álbum. “Ele foi incrível! Passou o orçamento para que gravássemos na Califórnia (EUA). Era mais barato do que eu imaginava”.

Na música Do Nada, Me Jogaram aos Leões, Vaquer conta com a participação da cantora de MPB Maria Gadú, que mostra, na faixa, uma alternativa roqueira convincente a despeito de seu marasmo típico de voz e violão. As vozes dos dois, juntas, dá um peso maior para a canção. “Ela uma vez me disse que se amarrava no meu som e pensei nela nessa música. Ela tem uma veia pop rock também, que transparece nos shows”, diz ele.

No restante do disco, Jay Vaquer destila seu potencial vocal, indo de agudos a graves com constante eficiência. Canta seus versos incomuns e ácidos. Meu Melhor Inimigo, canção que abre o disco, mostra esses dois estilos do cantor e compositor. Numa curva de crescimento, ele vai do quase sussurro até o ápice, numa interpretação vigorosa do refrão.

Calma e raiva. Acidez e romantismo. Sempre num rock’n’roll bem-feito, com camadas e uma estética bem própria. É preciso tirar o chapéu para Jay Vaquer. Nesses 11 anos de carreira, nunca se rendeu às novas tendências que atingiram o mercado brasileiro. Ficou à margem das ondas emo e colorida. Com videoclipes bem feitos, ele ganhou espaço na grade de programação da MTV.

“Lembro que no fim de 2000, eu abri a revista MTV e estava entre os clipes mais pedidos do ano. Era o quarto, só depois de Backstreet Boys, Britney Spears e N’Sync. Tudo sozinho”. Ficou marcado como artista teen, mesmo que em suas letras tenham, por exemplo, a palavra “coprófaga”. Nas incoerências desse mercado confuso, quem sofre é o artista. ::

LANÇAMENTO
‘Umbigobunker!?’
Jay Vaquer
Lab 344
Preço: R$ 24,90

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