João Doria Jr: “Luxo máximo era gelatina”

Em entrevista ao JT o empresário e apresentador do Aprendiz fala da morte da mãe, da relação com os filhos, da fé em Deus, de trabalho e sobre sexo com a mulher, Bia Doria, com quem é casado há 17 anos

Redação

07 de junho de 2010 | 17h12

Bianca Balsi

O apresentador e empresário João Doria Jr.

O apresentador e empresário João Doria Jr.

Aos 52 anos, o empresário João Doria Jr., dono do grupo Doria Associados e apresentador do Aprendiz, da Record, e Show Business, da Band, é bem menos seco do que demonstra na TV. Em entrevista ao JT ele fala da morte da mãe, da relação com os filhos, da fé em Deus, e afirma que mesmo com uma rotina de 18 horas de trabalho por dia, sempre arruma tempo para fazer sexo com a mulher, Bia Doria, 44, com quem é casado há 17 anos.

Quando você era criança, seu pai foi exilado. Que lembrança forte você tem desse período?
Meu pai, que era deputado federal, foi cassado e exilado em 1964. Eu tinha 6 anos e meu irmão, Raul, 1 ano. Moramos em Paris por dois anos, até que o dinheiro acabou. Minha mãe, meu irmão e eu voltamos para o Brasil. Minha mãe começou a trabalhar, foi uma mudança radical. Foram 5 anos durante os quais enfrentamos muitas dificuldades.

Chegou a faltar comida em casa?
Eu diria que não faltou, mas quase. Durante esses 5 anos, várias vezes comemos arroz, feijão e salsicha, dias seguidos. Não havia sobremesa. O luxo máximo era Ki-Suco e, eventualmente, uma gelatina no final de semana.

Você começou a trabalhar aos 13 anos, certo?
Sim. E antes disso, eu ajudava minha mãe na fábrica de fraldas que ela montou. Aos 13 anos, consegui um emprego numa agência de publicidade. Cerca de 70% do salário eu dava para minha mãe. Isso foi até os 14 anos, quando ela morreu. Meu pai voltou ao Brasil em maio de 74 e minha mãe faleceu em agosto, aos 34 anos. Ela morreu muito cedo, de pneumonia.

Como você encarou essa perda? Conseguiu superar?

No dia da morte da minha mãe, meu pai me disse: ‘Filho, a vida é como uma mariposa. Ela deixa o corpo de lagarta, se torna uma borboleta e voa, só que você não vê mais.’ Estávamos no necrotério, meu pai me abraçou. Eu chorava muito naquele dia. Nunca mais me esqueci disso.

Que impacto esse episódio teve na sua personalidade?
Ajudou a formar meu caráter, minha determinação. Foi algo muito forte na minha vida.

Você acredita em Deus, tem alguma religião?
Acredito. Sou católico, faço minhas orações, vou uma vez por mês à igreja. Sou uma pessoa que tem muita fé. Eu me tornei mais ativo na minha fé depois da perda da minha mãe.

Como mantém o casamento?
Respeito a família e minha mulher. Entendo a importância da família e sou tolerante. A tolerância ajuda a preservar o casamento. Ela é mais tolerante do que eu. Para suportar um marido que trabalha 17, 18 horas por dia, tem de ser extremamente tolerante.

Dá tempo de fazer sexo?
Dá tempo de tudo. Se você tem hora para trabalhar, para o futebol, para os amigos, tem de ter tempo para o sexo. É preciso estabelecer isso como parte da vida conjugal.

Está na rotina diária?
Está na rotina (risos).

No sexo vale tudo?
Você é muito curiosa.

Já escolheu o vencedor desta edição do ‘Aprendiz Universitário’?
Não. Vou escolher na hora, durante o programa. Havia muitos favoritos. Alguns já saíram.