John Malkovich e sua comédia infernal

Em The Infernal Comedy - Confissões de um Serial Killer, o ator John Malkovich encarna uma versão da história de Jack Unterweger, um assassino real

Redação

04 de novembro de 2011 | 06h08

MAIARA CAMARGO
Em Quero Ser John Malkovich, filme de 1999, o ator e diretor tinha sua mente invadida por um arquivista, que cobrava ingressos a quem quisesse dar uma olhadinha no que se passava em sua vida. Agora, é John Malkovich que está dentro da cabeça de alguém. Em The Infernal Comedy – Confissões de um Serial Killer, espécie de opereta que terá três apresentações a partir de hoje em São Paulo, Malkovich encarna uma versão da história de Jack Unterweger, um assassino real.

Criado e dirigido por Michael Sturminger, o espetáculo une monólogo e concerto, o que não é muito comum, mas possibilita a interação entre musicistas clássicos e atores de teatro contemporâneo. Além de Malkovich, o palco é ocupado pela Musica Angelica Baroque Orchestra, sob o comando de seu fundador, Martin Haselböck, e as sopranos Marie Arnet e Kirsten Blaise – que se reveza com Sophie Klussman.

O espetáculo é inspirado na trajetória fantástica de Jack Unterweger (1950-1994). Preso por assassinar uma mulher, o austríaco ganhou status de celebridade quando passou a escrever poemas e lançou, da cadeia, sua autobiografia. O livro se tornou um best seller e o homem passou a servir de exemplo de reabilitação, dando uma série de entrevistas. Com o apoio de políticos e intelectuais, Unterweger foi solto em 1990. Em liberdade, virou suspeito de uma série de estrangulamentos de prostitutas em cidades como Viena, Praga e Los Angeles. Depois de fugir do FBI, foi condenado por nove homicídios. Na cadeia, suicidou-se.

O monólogo traz o assassino ministrando um tipo de palestra pós-morte, em que aproveita pra lançar seu livro, The Infernal Comedy, que discute sua própria história. O texto é entrecortado por músicas de Beethoven, Haydn, Weber, Vivaldi e Mozart. As cantoras também fazem as vezes de atrizes, atuando ao lado do protagonista. São elas que dão vida às vítimas do assassino, que as enforca com seus próprios sutiãs. Falado em inglês, o texto é traduzido através de legendas eletrônicas.

L’Enfer, parte da composição Don Juan, de Christoph Willibald Gluck, abre o espetáculo. Vestido como malandro, com terno e calça branca, Malkovich, em dado momento, explica: “Eu sinto como se tivesse a permissão de matar essas mulheres sem ser apanhado. E posso encontrar uma na próxima esquina”.

The Infernal Comedy estreou em Los Angeles e depois saiu em turnê internacional. Além de atuar, Malkovich assinava direção e produção. Com o sucesso, continuou atuando, e Sturminger, criador da obra, assumiu as outras funções. O espetáculo passou por Canadá, Espanha, França, Áustria, Inglaterra.

Com mais de 65 filmes na carreira, Malkovich confere ao mote complexo um ar de comédia. Sturminger, no texto de apresentação do espetáculo, avisa: “Agora, esperamos o inesperado.” Conselho anotado.

The Infernal Comedy –
Confissões de um Serial Killer
Teatro Municipal. Praça Ramos
de Azevedo, s/n. tel.:3397-0300.
Hoje, às 21h. Amanhã, às 20h, e domingo, às 17h. Ingresso:
de R$ 150 a R$ 390. 14 anos.

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