Luísa Maita lança seu primeiro disco-solo

No ano passado, um burburinho entre a imprensa especializada em música dava conta de uma jovem cantora e compositora paulistana de nome Luísa Maita. Na época, ela ainda não havia lançado um disco. Na realidade, estava no processo de gravação do primeiro CD e divulgou uma ou outra faixa

Redação

03 Agosto 2010 | 17h58

Luísa Maita, cantora e compositora (Foto: João Wainer/Divulgação)

Luísa Maita (Foto: João Wainer/Divulgação)

Adriana Del Ré

No ano passado, um burburinho entre a imprensa especializada em música dava conta de uma jovem cantora e compositora paulistana de nome Luísa Maita. Na época, ela ainda não havia lançado um disco. Na realidade, estava no processo de gravação do primeiro CD e divulgou uma ou outra faixa. Um crítico ouviu, indicou para outro, que recomendou para um terceiro e, assim, criou-se uma rede. Por coincidência, Luísa despontava em meio a uma nova geração de compositoras que também sabem cantar, como Tulipa Ruiz, Tiê e Andreia Dias.

“Eu não esperava essa repercussão. Foi um movimento importante”, diz Luísa, 28 anos, que, agora sim, está lançando seu antecipadamente elogiado álbum de estreia: ‘Lero-Lero’. Das 11 faixas, 8 são de sua autoria. As demais levam a assinatura do namorado, Rodrigo Campos, e dos amigos Luís Felipe Gama e Morris Picciotto.

O caleidoscópio rítmico inclui sambas, toadas e MPB e deixa evidente, no CD ‘Lero-Lero’, as diversas influências às quais ela foi submetida desde muito criança. Nascida no Bexiga, logo se mudou com os pais para a periferia, um sítio no Grajaú, na zona sul de São Paulo, onde havia uma espécie de comunidade hippie. Lá, seu pai, o músico Amado Maita, descendente de árabes, compunha fervorosamente com seus vizinhos, gente como Fernando Falcão e Lea Freire.

“Meu pai era apaixonado por samba e jazz. Era uma pessoa muito sensível”, lembra. A influência do padrinho Falcão, “uma mistura de Alceu Valença, Naná Vasconcelos e Glauber Rocha”, nas palavras da própria compositora, está de corpo presente neste primeiro disco em músicas como ‘Fulaninha’ e ‘Anunciou’. Por parte da mãe, a produtora cultural Myriam Taubkin, de família judia, está, como se percebe, o clã Taubkin, que tem como expoentes os talentosos músicos Benjamim e Daniel, tios de Luísa.

Depois da separação dos pais, cada um foi para um canto: a mãe voltou a morar com a família, em Higienópolis, bairro nobre, enquanto o pai retornou para o Bexiga. Dividida entre cenários tão diferentes, a compositora se acostumou a transitar entre universos musicais contrastantes. De um lado, o pop e rock ouvido pelos adolescentes de classe média alta do colégio. Do outro, o samba e a música nordestina que ressoavam por todos os cantos do Bexiga.

Também falou alto a veia urbana, de quem sempre viveu numa metrópole. E ela transformou letras em crônicas. Isso fica claro em canções como a singela ‘Alento’, que nasceu dessa conexão com a cidade, que poderia ser São Paulo ou qualquer outra grande metrópole do planeta. “Acordo cedo com o pé no freio o mundo inteiro começa a girar/No banheiro, olho no espelho/Crio coragem e ponho pra andar”, diz o trecho. “É engraçado, porque a melodia do refrão é quase um samba antigo e um pouco de Michael Jackson e Marcelo D2. As coisas se entrelaçam”, diz.

Além do Brasil, o disco ‘Lero-Lero’ vai alçar voos mais altos, com escalas na Europa e Estados Unidos, onde ele também já foi lançado. Em São Paulo, Luísa Maita apresenta o novo trabalho no dia 27 de agosto, no Sesc Pompeia.

Download Ouça trecho da música ‘Alento’