Mariana Ximenes está de volta a SP e aos palcos

A atriz paulistana pode até não acreditar em astrologia, mas, coincidência ou não, os últimos anos apontaram mudanças significativas em sua vida. Em 2009, ela se separou do diretor Pedro Buarque de Hollanda. No início de 2011, quando a novela Passione acabou, viajou para Londres

Redação

18 Setembro 2011 | 23h03

ANA RITA MARTINS

Dizem os astrólogos que, entre os 28 e os 30 anos de idade, ocorre um rito de passagem, em que a pessoa revê a própria vida, descarta o que não faz mais sentido e busca reinventar-se. A atriz paulistana Mariana Ximenes, de 30 anos, pode até não acreditar em astrologia, mas, coincidência ou não, os últimos anos apontaram mudanças significativas em sua vida. Em 2009, ela se separou do diretor Pedro Buarque de Hollanda, com quem era casada havia 8 anos.

Mariana volta aos palcos após 9 anos no papel de Sydney (Foto: Leonardo Soares/AE)

No início de 2011, quando a novela Passione acabou, viajou para Londres, para “observar as pessoas em vez de ser observada o tempo inteiro”. Na volta ao Brasil, resolveu mudar de cidade. Depois de 13 anos vivendo no Rio, voltou à sua terra natal, São Paulo. E, aqui, retomou o trabalho no teatro depois de 9 anos longe do palco. Em Os Altruístas, que acaba de estrear na capital, ela interpreta Sydney, uma atriz neurótica e politicamente incorreta.

A decisão de voltar a fazer teatro, depois de tanto tempo, significa que você tem repensado sua carreira?
Estou num momento em que ando pensando muito no meu ofício. E muitas pessoas têm influência nesse movimento interno.

Quem são essas pessoas?
Gente que admiro pessoal e profissionalmente, como o Paulo José e a Louise Cardoso. Estou pensando sobre a vida e buscando traçar caminhos. Quando acabou Passione, pensei: ‘Vou para Londres’. Era um desejo antigo de estudar fora, sair um pouco, alugar um apartamento sozinha, pegar metrô, fazer compras, viver uma vidinha, e só ter o compromisso de estudar e observar sem ser observada.

O fato de produzir pela primeira vez uma peça faz parte da busca por novos caminhos?
Faz sim. E tem sido interessante, porque me sinto mais envolvida com a obra. Para produzir, participei de processos que não tinha vivido antes. Fui atrás de patrocínio, levei muitos ‘sim’ e também muitos ‘não’. Existem empresas que só patrocinam se puderem interferir no roteiro ou que ficam querendo saber cada minúcia da história. Outras, realmente, não estão interessadas em patrocinar cultura. Mas, ainda bem, existem marcas que gostam de investir nela. Graças a elas, estamos estreando o espetáculo.

Você utilizou a psicanálise para compor a personagem Sydney?
Sim. Trabalho com Kátia Achcar, uma psicanalista que também entende muito de dramaturgia. Ela me ajudou a compreender por que as pessoas desenvolvem doenças, como a anorexia e bulimia, que a Sydney tem. Construímos também uma história prévia para ela, que sustentasse emocionalmente sua personalidade. Foi bem interessante e útil pensar na infância que ela poderia ter tido e nos traumas da adolescência.

Você estava há 9 anos sem atuar no palco. Quais desafios tem enfrentado?
A narrativa corporal é diferente. Na televisão, você tem o close. No cinema também. Já no teatro, não. E você precisa saber o que fazer com seu corpo. Temos uma preparadora física que nos ajuda com isso. Mas, na verdade, não é diferente, em termos de ser mais ou menos desafiador, da TV. O exercício de fazer trinta cenas por dia, em novela, por exemplo, é difícil. E o fato de ter cenas parecidas ao longo da trama, também. Eu tenho de estar sempre procurando formas diferentes de dizer coisas parecidas. Aí, escolho se coloco mais ironia, afeto, raiva…

Ficou com medo de dar um tempo na televisão para fazer teatro?
Não. Atores como Renata Sorrah, Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Débora Bloch, Selton Mello, Wagner Moura, enfim, todos eles trafegam tranquilamente entre a televisão, cinema e teatro. Não existe conflito. São escolhas. Só não voltei ao teatro antes, porque não teve um projeto como esse de agora e tive oportunidade de fazer papéis ótimos na televisão.

E você tem vontade de tentar uma carreira internacional, como o Wagner Moura?
Não sou hipócrita de falar que não quero. Mas teria de ser uma boa oportunidade, porque adoro o Brasil. E, além do mais, tenho muitas coisas para fazer por aqui.

E como está sendo voltar para casa, você que é paulistana da Vila Mariana?
Maravilhoso. Estou perto da minha família, amigos e referências da infância. Também adoro abrir o jornal e ver a quantidade de eventos culturais que acontecem na cidade. De vez em quando, aos domingos de manhã, vou a um concerto com meu pai, na Sala São Paulo. E almoço na minha avó. Os restaurantes da cidade são incríveis. Estou feliz por ter voltado.

Você gostava de fazer esportes quando estudava no colégio, aqui em São Paulo, não?
Sim. Estudei no Arquidiocesano e lá eles davam bastante atenção ao esporte. Joguei basquetebol, handebol, fiz capoeira e balé.

E nunca pensou em seguir nessa área. Sempre quis ser atriz?
Nunca cogitei outra coisa desde que fiz uma peça no colégio, aos 6 anos. Não tenho artistas na família. Daí, quando entrei no Teatro Escola Célia Helena, o mundo se abriu. Conheci as pessoas do teatro e me encantei.

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