Ópera usa humor para parodiar clássicos

Produção inspirada em dois projetos estrangeiros traz dois homens interpretando papéis femininos em espetáculo La Gran Scena - Trans Ópera.

Redação

21 Setembro 2010 | 11h08

Tatiana Piva

Para celebrar os 30 anos dos espetáculos encenados pela série Vesperais Líricas, a solista do Teatro Municipal Eloisa Baldin traz um formato inusitado para os palcos, com o espetáculo La Gran Scena – Trans ópera. A produção é uma paródia a trechos de óperas célebres – como Carmen, de Georges Bizet, Rigoletto, de Giuseppe Verdi, e A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart –, mas com os papéis femininos interpretados por homens. As apresentações acontecem hoje, às 18h30, na Galeria Olido, e quinta-feira, às 20 horas, no Teatro João Caetano.
O formato foi inspirado em dois projetos semelhantes que fazem sucesso em outras partes do mundo. Um deles é da companhia Les Ballets Trockadero de Monte Carlo, no qual bailarinos dançam um repertório clássico impecável, desempenhando personagens femininos. E o outro é o grupo norte-americano La Gran Scena Opera Company, composto também por homens que interpretam vários papéis femininos.
“Já conhecia o trabalho desses dois grupos. Na verdade, a ideia de fazer um espetáculo assim surgiu de brincadeiras”, conta Eloisa Baldin, que faz a direção cênica e musical do espetáculo. “Sempre via, em momentos de descontração, alguns cantores tirando sarro, imitando vozes de mulheres e repertórios femininos. Pensei: ‘Por que não levar isso para os palcos”, diz Eloisa. Em São Paulo, os dois cantores e intérpretes dos papéis femininos são Diógenes Gomes e Caio Ferraz, barítonos (estilo de voz masculina mais grave e aveludada que a dos tenores) do Teatro Municipal.
Eloisa explica que homens com o estilo de voz contratenores têm facilidade para cantar em tons mais agudos – “Como o Ney Matogrosso, por exemplo”. Mas cantores barítonos não têm facilidade para isso. Por isso, eles cantam usando a técnica conhecida como falsete (pela qual o cantor emite, de modo controlado e não natural, sons mais agudos que os da sua voz natural).
Diferentemente do que ocorre com o grupo norte- americano, no qual simplesmente os homens cantam repertórios femininos, o espetáculo brasileiro conta uma história. Na encenação, Diógenes e Caio representam duas divas italianas – Marta Picaretti e Jovanka Milika – que desembarcam no porto de Santos, no início do século passado, para participar de uma temporada lírica em São Paulo. Elas chegam com os seus respectivos namorados, também cantores – o russo Gregori Sustenidowski e o espanhol Juan Boyol –, interpretados por outros dois solistas do Municipal: Sérgio Wernec e Sandro Bodilon. “É um espetáculo engraçado, que prende a atenção de quem conhece ou não de óperas. Eles (os cantores)estão ótimos”, diz Eloisa.