Projetos de gafieira agitam SP e renovam público

A Quarta da Gafieira é um bom exemplo do atual tratamento dado ao ritmo. O projeto, por si só, engrossa o roteiro paulistano dedicado ao estilo, para se dançar ou simplesmente ouvir. Entre outras iniciativas, estão o Dance no Teatro de Dança, o Projeto Vinagrete e as segundas de gafieira no bar Ó do Borogodó. Já Flávio e Soraya mostram que existe uma renovação de público apaixonado por música brasileira

Redação

17 de julho de 2010 | 00h30

Vizinha da Galeria Olido, no Centro de São Paulo, a assistente editorial Soraya Leme, 30 anos, ficava curiosa com a música que ressoava de uma das salas do local, a Vitrine da Dança. Há cerca de três meses, ela decidiu entrar e descobriu que toda aquela animação vinha das aulas de dança de salão e dos projetos musicais organizados no espaço. Tornou-se habitué. “Estou aprendendo a dançar aqui”, diz Soraya, que, na última quarta-feira, foi conferir o conjunto Gafieira na Casa.

Criada em 2007, a trupe é atração deste mês do projeto Quarta da Gafieira, realizado na Galeria. “Estou achando maravilhosa esta noite dedicada à gafieira”, diz Soraya. Um de seus professores é o amigo Flávio Paulice, 30 anos, analista de suporte. “Gafieira é uma das danças brasileiras mais elegantes”, observa Flávio.

A Quarta da Gafieira é um bom exemplo do atual tratamento dado ao ritmo. O projeto, por si só, engrossa o roteiro paulistano dedicado ao estilo, para se dançar ou simplesmente ouvir. Entre outras iniciativas, estão o Dance no Teatro de Dança, o Projeto Vinagrete e as segundas de gafieira no bar Ó do Borogodó. Já Flávio e Soraya mostram que existe uma renovação de público apaixonado por música brasileira.

“Muita gente jovem aprende a gostar desses ritmos fazendo dança de salão”, acredita o violonista Paulo Serau, 27, um dos idealizadores do Gafieira na Casa. Nas apresentações do grupo, há quem prefira ficar sentado na plateia, enquanto os pés de valsa não conseguem ficar parados. No repertório, clássicos dos salões de baile das décadas de 30 a 60, além de canções mais recentes, com a mesma roupagem dos grupos musicais da época. “Como canta Jackson do Pandeiro(na música ‘Sebastiana), ‘O xaxado esquentou na gafieira’. Se pegarmos o sentido da gafieira como ambiente, nela tocam-se todos os ritmos brasileiros, como samba, choro, maxixe”, diz ele.

O quarteto do Projeto Vinagrete, criado há quatro anos, também gosta de reproduzir o clima das gafieiras pelos lugares por onde passa: dia 24, na Roda de Samba e Gafieira no Paribar, no Centro; e na Noite de Gafieira e Samba Jazz, no dia 24, no Miscelânea Cultural; e no dia 20 de agosto, no Espaço Urucum, ambos em Pinheiros. “Nossa proposta é que o pessoal vá para uma balada para dançar a dois. Existe um forte público de universitários que curte isso”, conta o vocalista Uribe Teófilo, 26 anos. O fato de eles repaginarem antigas canções também ajuda nessa nova formação de plateia. 

No Ó do Borogodó, em Pinheiros, são os músicos do Gafieira Nacional que comandam as agitadas segundas-feiras. O grupo foi criado há um ano especialmente para o projeto, que conquistou frequentadores. “Talvez, um dos motivos pelo qual exista esse interesse dos mais jovens tenha relação com o ressurgimento do forró entre final dos anos 1990 e início dos 2000. A classe média resgatou o gosto de dançar a dois”, afirma Thiago França, 29 anos, saxofonista, arranjador e diretor musical do conjunto, formado por instrumentos de sopro, cordas e percussão. “Nas nossas apresentações, vemos alunos de escolas de dança de salão das imediações”.

Para quem não tem tempo de fazer um curso, mas quer aprender noções básicas de gafieira, na próxima quarta-feira (dia 21), será oferecida aula-baile de dança no salão do Circolo Italiano, no Centro. Trata-se da nova edição do projeto Dance no Teatro de Dança, gratuita e aberta a todos. Haverá uma breve aula, seguida por espetáculo com bailarinos e, ao final, as pessoas poderão colocar em prática o que aprenderam. “O samba de gafieira é tradição. Mas hoje antigos movimentos são contaminados, no bom sentido, por outras referências”, diz a bailarina Luciana Mayumi, que conduzirá as atividades no dia.

Assista a seguir trecho do espetáculo ‘Gafieira, Milonga e Rastapé – Só Não Vai Quem Não Quer’, com direção de Luciana Mayumi e Ítalo Rodrigues e coreografia de Wanderlei Ribeiro e Marcela Cintra: