Richard Rasmussen, o terror dos animais

Metido a ambientalista, apresentador Richard Rasmussen posa de ambientalista mas tortura os animais e já foi até flagrado pelo Ibama infringindo leis ambientais

Redação

17 de agosto de 2010 | 12h02

Bianca Balsi
Numa tarde ensolarada, um inofensivo filhote de jararaca dorme num cupinzeiro no Parque Nacional das Emas, em Goiás. O bicho não percebe quando um homem se aproxima com um graveto na mão, e, de repente, o cutuca. Encurralado, o animal se defende e dá o bote. Na televisão, o filhote, que poucos minutos antes dormia tranquilo, é mostrado como uma cobra violenta e perigosa. Mas o animal não está fazendo nada mais do que se defender de um invasor, este sim, agressivo. Trata-se do paulista Richard Rasmussen, apresentador do programa Aventura Selvagem, que vai ao ar no SBT às sextas, às 21h20. Desde 2003, esse economista metido a aventureiro ganha a vida cutucando animais silvestres e exibindo as cenas em seu programa de TV – até o início deste ano, ele estava na Record. Criticado por não ser formado em biologia, Richard Rasmussen, 40 anos, resolveu fazer o curso. Levou sete anos para se formar biólogo pela Universidade Ibirapuera (Unib), em 2008. “Eu já sabia algumas coisas do mundo animal. Só fiz o curso para formalizar esse meu conhecimento”, argumenta ele.

Entre as vítimas desse Indiana Jones de araque, estão animais como uma jaratataca (conhecido popularmente como gambá), também moradora do Parque Nacional das Emas, perseguida incansavelmente por ele, e um lagarto da República Dominicana, que foi esfregado e apertado pelo aventureiro até que finalmente se sentisse ameaçado o suficiente para mostrar seu mecanismo de defesa: inflar o papo e se fingir de morto. Na ocasião, Richard comemorou a cena, dizendo: “Olha que bicho maravilhoso”. Já o biólogo Valter Barrela, professor de ecologia da PUC-SP, não acha a cena tão admirável. “Isso acarreta estresse aos bichos. Mas ele (Richard) tem de fazer o showzinho dele. Se ele não incomodar o animal, não vai ter audiência”, diz Barrela.

O oceanógrafo gaúcho José Martins, responsável pelo Projeto Golfinho Rotador, em Fernando de Noronha, também não concorda com os procedimentos de Richard. “Ele interfere muito na vida do animal. Além disso, infringe a legislação ambiental. Os animais não podem ser perseguidos, manipulados, tirados da família, do ambiente em que vivem”, destaca Martins. “E ele faz tudo isso”.

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