Saiba como são feitos os figurinos de assistente de palco

Elas podem ser consideradas bregas, ou exageradas, mas são uma das marcas dos programas de auditório. Herança dos tempos de Chacrinha, o figurino sensual das bailarinas e assistentes de palco diverte e chama atenção

Redação

19 de julho de 2010 | 23h35

Bailarinas do SBT (Foto: Sérgio Neves / AE)

Bailarinas do SBT (Foto: Sérgio Neves / AE)

Bianca Balsi
Maiôs decotados, minissaias, plumas, paetês, luvas. Esses são alguns dos elementos que compõem os figurinos das dançarinas que funcionam como coadjuvantes em diversos programas de TV do Brasil. À primeira vista, as roupas das moças podem parecer um tanto quanto bregas ou exageradamente sensuais – em alguns casos, são mesmo –, mas tudo isso faz parte de uma espécie de fetiche televisivo: o das bailarinas de programa de auditório.

As mulheres sempre sorridentes e em trajes sumários (veja a foto à direita), que hoje enfeitam o palco de apresentadores como Silvio Santos, Faustão, Gugu e Rodrigo Faro, são uma herança dos tempos de Chacrinha. No início dos anos 70, as ousadas chacretes marcaram época, usando maiôs decotados demais e botas de cano longo. Hoje, 40 anos depois, o figurino das bailarinas e assistentes de palco continua sendo uma atração à parte da TV brasileira.

Responsável pela criação dos modelitos usados pelas bailarinas do SBT, o figurinista Paulo Federici está há mais de 18 anos na profissão. Ele diz que pesquisa muito antes de partir para a criação de maiôs, minissaias, tops e shorts para as quatorze bailarinas do Programa Silvio Santos e as onze do Domingo Legal. Suas influências vêm de divas do pop, como Beyoncé e Britney Spears. Sem medo de exagerar, ele abusa de cristais, bordados e pedrarias. “Tem de ter glamour na TV. Pluma é riqueza. Se for muito básico, elas ficam apagadas no fundo do palco”, explica. A única proibição é o uso de tecidos rígidos e acessórios muito pesados, que podem atrapalhar a coreografia.

O Figurinista Paulo Federici com as bailarinas (Fotos: Sérgio Neves / AE)

O Figurinista Paulo Federici com as bailarinas (Fotos: Sérgio Neves / AE)

A roupa começa nos croquis de Federici. Na fase de execução, seis costureiras se desdobram para que maiôs de oncinha, saias com detalhes néon e túnicas inspiradas em asas fiquem prontas a tempo de ser provadas e ajustadas antes das gravações. Por mês, a equipe produz, em média, 100 peças, cada uma com custo aproximado de R$ 90. A única coisa que Federici compra pronta são os calçados, em lojas da região do Bom Retiro, por cerca de R$ 130 o par.

Para as bailarinas de Silvio Santos, o figurinista desenha maiôs e corpetes. Já para as do Domingo Legal, prefere visuais compostos por duas peças: top e minissaia ou top e shorts. “O importante é mostrar o corpo bonito que elas têm, mas sem vulgarizar. A roupa estimula a imaginação de quem está assistindo”, diz Federici, que também cuida do visual de Silvio Santos e tem aval do patrão para vestir as bailarinas como quiser.

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