Sangues e piadas no filme Pânico 4

Pânico 4, que estreia hoje, é a continuação da saga adolescente. A nova história gira em torno de um serial killer que liga para suas vítimas pouco antes de matá-las perguntando qual é o filme de terror favorito delas

Redação

14 Abril 2011 | 23h45

Courtney Cox na continuação da saga. Filme é lançado dez anos depois de Pânico 3 (Foto: Divulgação)

 

FELIPE BRANCO CRUZ

Pânico 4, que estreia hoje, é a continuação de uma saga adolescente que foi desprezada no passado pelos críticos e hoje é considerada cult. Dirigido por Wes Craven, o primeiro Pânico, em 1996, foi massacrado pela crítica, na época, mas hoje, 15 anos depois, é possível perceber o impacto que ele teve na produção cinematográfica de suspense na década 90 e nos anos 2000. Depois dele, vieram títulos como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), Lenda Urbana (1998) e Jogos Mortais (2004), por exemplo.

A nova história gira em torno de um serial killer que liga para suas vítimas pouco antes de matá-las perguntando qual é o filme de terror favorito delas. Depois, ele levanta outras questões sobre esse filme, como o nome do diretor, por exemplo. Se a pessoa errar a resposta, ela morre esfaqueada.

E é justamente citando clássicos do suspense como Psicose, Halloween, A Hora do Pesadelo (também dirigido por Wes Craven) e produções recentes, como o próprio Jogos Mortais, que o novo assassino, usando a tradicional máscara de fantasma (ghostface), comete seus brutais crimes. Dessa forma, o diretor recicla seu próprio formato e o apresenta como algo novo aos adolescentes do século 21.

Wes Craven tentou fazer isso no ano passado quando lançou outro filme de terror para jovens, A Sétima Alma, mas o longa-metragem foi um fracasso de crítica e público, arrecadando US$ 20 milhões em todo o mundo, menos que o orçamento de US$ 25 milhões.

Pânico 4 tem, pelo menos, duas qualidades. A primeira é que ele não se leva a sério como um filme realmente assustador. Prova disso são as diversas piadas e as referências autodepreciativas que faz. O início do longa, por exemplo, faz graça com filmes de terror que insistem em seguir com várias continuações, como é o caso do próprio Pânico 4.

A não ser que seja uma franquia consistente como a de O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, ou adaptações de livros como Harry Potter, dificilmente uma história pode render mais do que três continuações igualmente interessantes. Depois disso, corre-se o risco de parecer uma produção feita apenas para ganhar dinheiro.

A segunda qualidade de Pânico 4 é manter o mesmo elenco do primeiro filme. Estão lá Courteney Cox, interpretando a jornalista Gale Weathers, David Arquette, na pele do xerife Dwight Riley e Neve Campbell como a eterna vítima Sidney Prescott. Neve, aliás, está linda aos 37 anos. Melhor até do que as adolescentes que são assassinadas sempre que estão vestindo trajes sumários.

Quando fez o primeiro longa, a atriz tinha apenas 22 anos e, junto com Sarah Michelle Gellar (de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado), povoou o imaginário dos adolescentes da década de 90. Em Pânico 4, há uma nova candidata a musa, a atriz Emma Rose Roberts, de 20 anos, que faz a prima de Sidney, Jill Roberts.

Mas a atriz principal e musa continua sendo mesmo Neve que, aliás, junto com Janet Leigh (Psicose, 1960), Jamie Lee Curtis (Halloween, 1978) e Linda Blair (O Exorcista, 1973), poderia ser incluída no rol das musas dos filmes de terror.

Por outro lado, o roteiro não é lá essas coisas. Sidney retorna à cidade de Woodsboro após escrever um livro de autoajuda contando como conseguiu sobreviver a tantos massacres. Na cidade, o assassinatos voltam a acontecer e sempre praticados por um maníaco que usa a máscara de fantasma. Junto com o Xerife Dewey e a jornalista Gale, eles tentarão descobrir quem é o assassino.

A impressão que dá é que pegaram o roteiro do primeiro filme, mudaram algumas situações, jogaram uns personagens novos no meio da trama e pronto, eis uma nova história. E, claro, invariavelmente haverá uma cena em que a vítima, quando estiver sendo perseguida dentro de casa pelo assassino, em vez de correr para a rua, vai subir as escadas e será morta no andar de cima.

De qualquer forma, Pânico 4 tem tudo para arrancar dos adolescentes de hoje os mesmos gritos daqueles que se assustaram com a franquia na década de 90.