SBT completa 30 anos de alegria

Em 19 de agosto de 1981, a antiga TVS do Senor Abravanel entrava no ar. O canal buscava o segundo lugar em audiência e focou em programas para as classes pouplares. Deu certo. Recentemente perdeu a posição e agora luta para retormar o lugar

Redação

21 Agosto 2011 | 00h05

JULIANA FADDUL e MAIARA CAMARGO

“Parece que a luta terminou”, disse Senor Abravanel, no discurso que marcou a exibição inicial da TVS, primeiro nome do SBT. Naquela época, 19 agosto de 1981, Abravanel já era Silvio Santos, rosto conhecido pelos quase 20 anos de programas televisivos, na TV Paulista e Globo. Sua emissora entrava no ar graças à concessão de canais que haviam sido da TV Tupi. De olho no segundo lugar, que era da Record, o canal surgiu com a proposta de difusão cultural para as classes populares. Deu certo.

Por um tempo, a guerra esteve ganha, como previa Silvio, mas o cenário mudou e, ao completar 30 anos, a emissora reúne armas para retomar a batalha. E diz querer o que já foi dela: a vice-liderança (que perdeu, gradativamente, a partir de 2004). Além da concessão, o SBT herdou uma série de programas da Tupi.

Mas foi preciso conquistar o espectador da antiga emissora, explica o especialista em TV, Elmo Francfort. “Imagine que a TV Tupi, que esteve com você desde pequeno, fecha. E, de repente, surge outra, que precisa continuar com a cara do brasileiro”, diz. No entanto, o novo canal tinha um trunfo: o dono. “O SBT soube se posicionar com novas atrações e um grande cartão de visita: Silvio Santos. Seu carisma é a maior vantagem do SBT.”

Com a obrigação de oferecer 12 horas de programação por dia, a emissora priorizou filmes, desenhos, jornalismo e, claro, o Programa Silvio Santos. Um grande acerto foi apostar no público infantil. O Show do Bozo, primeira empreitada do tipo, foi sucesso nos anos 1980, chegando a ficar oito horas diárias no ar. O palhaço abriu espaço para Mara Maravilha, Sérgio Mallandro, Angélica e Eliana.

Por sua vez, sua faceta adulta se formou com a presença de Hebe Camargo, Lolita Rodrigues, Airton Rodrigues, Jota Silvestre, Jacinto Figueira Jr. (o homem do sapato branco) e o foco nos programas de auditório. Outro ponto definitivo foi a parceria com a rede mexicana Televisa, que, ao longo dos anos, além da exibição de tramas importadas, como Maria do Bairro, Chispita e A Usurpadora, originou uma série de remakes, caso de Antônio Alves, Taxista, Pícara Sonhadora, Pérola Negra, Chiquititas e outras. Para 2012, emissora prepara a versão nacional da novelinha Carrossel, hit nos anos 1990.

O fator ‘Chaves’

Mas as novelas mexicanas não são a maior contribuição da Televisa. Logo nos primeiro anos de SBT, a parceria pôs no ar Chaves, marca da emissora. Garantia de boa audiência, já foi exibido em diversos horários na últimas três décadas. O abuso do programa criou a sensação de que se trata de uma das poucas atrações da casa com força para brigar por ibope. Assim, hoje, Chaves é um caso de amor e ódio. Lembrado, repetidamente, na comemoração de 30 anos do canal, é usado em um dos vídeos comemorativos para um alerta: “O SBT não é só o Chaves”.

Realmente, no decorrer de sua trajetória, a TV de Silvio Santos surpreendeu muitas vezes. A lista de produções marcantes inclui obras premiadas, como a novela Éramos Seis, de Silvio de Abreu; programas que mexeram com o jeito de fazer TV, caso do TJ Brasil, com Boris Casoy; e do Aqui Agora. Até atrações de grande apelo popular, shows comandados por Gugu Liberato, Hebe, Ratinho e outros. Para José Roberto Maciel, vice-presidente do SBT, o interesse em novos formatos é parte da política da casa.

“Vamos continuar buscando parcerias com produtoras independentes, que estejam bolando novas ideias”, diz. Uma dessas investidas inovadoras foi o reality show Casa dos Artistas, considerado o auge da emissora. A atração estreou em 2001, quase sem divulgação e foi processada por plágio pela Globo (detentora dos direitos do Big Brother). E atingiu a maior audiência da história do canal, com picos de 55 pontos.

Declínio e retomada

No começo dos anos 2000, com uma grade enfraquecida, o SBT apostou nas mudanças de horário de seus programas para manter a audiência e frear o crescimento da Record. A estratégia deu errado, assume Maciel. Em julho de 2006, em relação ao mesmo mês em 2005, o canal de Silvio Santos caiu 15% e o de Edir Macedo subiu 31% na faixa das 7 da manhã à meia-noite. “Éramos vice-líderes isolados. Nosso programador-maior, o Silvio, queria entreter o telespectador e mudava os horários com esse intuito. Mas em TV, o primeiro mandamento é o hábito.”

No fim do ano passado, além da perda de audiência, um rombo no Banco Panamericano – do grupo Silvio Santos – obrigou o empresário a pôr a emissora em consignação, criando rumores de seu fim. A tensão foi encerrada neste ano, com a venda do banco. “A televisão (SBT) que vocês queriam não está à venda”, anunciou o apresentador.

Com a crise resolvida e a chegada dos 30 anos, o canal entra numa nova fase. E nessa etapa, quem está à frente é a nova geração. Filha número três de Silvio Santos, Daniela Beyruti, de 34 anos, assumiu, em dezembro de 2010, a diretoria artística do SBT. Fã do Bozo na infância, promete correr atrás dos espectadores que mudaram de canal. “A gente tinha perdido um pouco a mão. Agora, estamos numa fase de reconquista”, diz ela.

Para isso, um dos focos é atrair a tão disputada classe C. “Crescemos com eles e queremos continuar crescendo. Não faz sentido perder esse vínculo”, afirma Daniela, que discute com o pai as decisões para a empresa. “Para mim, ele é um mestre.” Se o talento de patrão ficou com Daniela, quem ficou com o jeito brincalhão foi Patrícia Abravanel, de 33 anos, que estreou como apresentadora em fevereiro. “Relutei para começar, mas herdei isso dele. Sempre gostei de falar em público.”

Com o reforço dos talentos da família, Maciel faz planos para a retomada do segundo lugar. “Vamos continuar esse legado fantástico, fazendo mais planejamento. A TV vai continuar tendo jornal, novela, filme. A preocupação é encontrar a linguagem certa para comunicar isso ao nosso público. Mas estamos trabalhando para conquistar o que é nosso: a vice-liderança”, promete ele.

Ao discursar para os funcionários, Silvio Santos, aos 80 anos, diz que a emissora é uma tarefa bem sucedida. “Fui abençoado pela sorte. Tenho um carinho especial pelo SBT.” E o Brasil, certamente, um carinho especial por Silvio.