Sob as bênçãos de Zeca Pagodinho

A comemoração também marca a chegada às lojas de um deles, realizado há cinco meses. Zeca Apresenta o Quintal do Pagodinho será lançado nesta terça, em CD e DVD. No registro, os compositores de seus grandes hits ganham rosto

Redação

23 de março de 2012 | 23h12

PEDRO ANTUNES
De Xerém (RJ)*

Zeca Pagodinho está feliz. Nem mesmo o sol escaldante e implacável sobre a sua cabeça parece importuná-lo ou tirar o sorriso enorme do seu rosto. Uma mão leva um copo de cerveja suado, a outra cumprimenta os amigos, convidados da festa em seu sítio em Xerém, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, na tarde de anteontem.

A casa é simples, com enorme pátio para as festanças. Uma estátua de São Jorge matando o dragão, de mais de três metros de altura, utilizada em um desfile da escola de samba carioca Grande Rio, garante a proteção aos bambas. “Qualquer mal intencionado não consegue entrar”, brinca ele, devoto do santo.

Zeca faz as vezes de bom anfitrião. Tudo sem frescura, requintes são desnecessários. Churrasco à vontade, assim como cerveja e refrigerante. Ninguém ali parece querer outra coisa. A ideia de Zeca é que todos os presentes (seus amigos compositores e jornalistas convidados) sentissem o clima dos encontros que ele promove por lá.

A comemoração também marca a chegada às lojas de um deles, realizado há cinco meses. Zeca Apresenta o Quintal do Pagodinho será lançado nesta terça, em CD e DVD.

No registro, os compositores de seus grandes hits ganham rosto. “A ideia nasceu de apresentar esses caras. Então, levei para a gravadora, para ver se eles aprovavam. E aqui estamos”, explica o dono da festa, ao lado de alguns dos 21 compositores que participam e cantam no projeto.

Antes da coletiva se imprensa começar, Zeca fez questão de que o DVD fosse executado na íntegra nas televisões instaladas lá. Ninguém deveria ficar fora. Um gesto de gratidão com aqueles cujos versos o ajudaram a ser o fenômeno do samba em que se transformou, tocado e cantado de lajes a prédios de alto padrão.

Assim como Beth Carvalho o apresentou para o Brasil, Zeca quer fazer o mesmo com seus companheiros. O sambista Jorge Aragão, da velha guarda dos encontros dominicais no bloco Cacique de Ramos, ao lado de Beth, Almir Guineto, entre outros, reconhece a força do fenômeno chamado Zeca Pagodinho.

“Nunca vi um sucesso tão grande como o de Zeca. As pessoas chegavam a quebrar os portões só para assistir aos seus shows. E o mais curioso é que ele nunca quis isso tudo”, diz. Zeca debocha: “O sucesso tirou o meu sossego.”

Zeca e a família deixaram Xerém e partiram para a Barra da Tijuca há dez anos, mas ele nunca abriu mão do sitio. “Quando falo da minha ‘casa’, estou me referindo a este lugar aqui”, diz. É durante esses encontros em Xerém que os compositores mostram seus novos sambas. “A palavra final, sobre gravar ou não, é sempre minha. Mas aqui fazemos uma grande festa.” Cerveja e carne não podem faltar.

O registro traz amigos famosos, como Beth Carvalho, Jorge Aragão, Seu Jorge, Jorge Ben Jor, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, mas os grandes destaques (e melhores surpresas), são os rostos desconhecidos. Zé Roberto, por exemplo, é o compositor de O Vacilão, O Penetra e O Pai Coruja, e as canta no CD e DVD. O estilo cômico de compor samba, diz Zé, faz com que as gargalhadas comecem antes de ele começar.

A cada nova canção exibida nas televisões do sítio, o respectivo compositor corre para se ver, com o olhar orgulhoso grudado na tela. “Esse trabalho do Zeca é muito importante para esse pessoal”, comenta Arlindo Cruz, cantor e compositor de carreira consolidada. “É uma gratidão muito grande fazer parte desse projeto.”

Uma turnê, por enquanto, esta descartada. É difícil definir uma data em comum na agenda de todos. “Estou dando a chance de todos trabalharem”, explica Zeca, que estará em São Paulo nos dias 30 e 31, para show do disco anterior, Vida da Minha Vida, de 2010. “A ideia é levar os compositores aos programas de TV, para que se tornem conhecidos.”

O escolhido, no ultimo domingo, foi Zé Roberto. Ao lado de Zeca, ele se apresentou no Domingão do Faustão, da Globo. E, já no dia seguinte, se viu dando autógrafos na rua. “Fui funcionário da Light, mas agora estou aposentado, com duas filhas criadas e vivo do meu samba. Ter o trabalho reconhecido é muito bom”, conta Zé. Uma alegria providenciada pelo bamba de coração enorme.

*O repórter viajou a convite da Universal Music

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