Teatro: ‘A Garota do Adeus’ chega com Gabriela Duarte

Gabriela interpreta Paula, uma dançarina e atriz, mãe de Luci, uma menina de 10 anos (Júlia Gomes). Ela é abandonada pelo namorado também ator, que viaja para a Espanha para filmar com Pedro Almodóvar

Redação

11 Maio 2012 | 23h09

IGOR GIANNASI

Uma sensação de leveza de uma “sessão da tarde” é reservada ao público na comédia romântica A Garota do Adeus, em cartaz no Teatro Renaissance, em São Paulo, estrelada pela atriz Gabriela Duarte. “Vivemos em um mundo violento, tão duro, tão agressivo que acho bonita essa possibilidade do teatro se experimentar com este encantamento, brincar com uma linguagem amorosa, em um espetáculo que fala de uma relação de um casal e uma criança”, afirma o diretor do espetáculo, Elias Andreato.
Gabriela interpreta Paula, uma dançarina e atriz, mãe de Luci, uma menina de 10 anos (Júlia Gomes). Ela é abandonada pelo namorado também ator, que viaja para a Espanha para filmar com Pedro Almodóvar. Acontece que o ex subloca o apartamento onde viviam para Hélio (Edson Fieschi), que chega de outra cidade para integrar uma montagem alternativa de Ricardo III, de William Shakespeare. A diferença de gênios leva ao embate entre os dois, rendendo situações engraçadas, para depois o romance surgir.
“Estou encantada com todas as possibilidades da Paula. Ela é forte, batalhadora, uma sobrevivente”, diz Gabriela. “Ao mesmo tempo, é romântica e é mãe. Só essa palavra já guarda um significado enorme.”
A peça, que marca o retorno da atriz aos palcos após cinco anos, é uma adaptação do filme de mesmo nome, de 1977, dirigido por Herbert Ross e com roteiro do dramaturgo Neil Simon. Uma coincidência: a última peça da atriz também havia sido um texto de Simon, As Mulheres da Minha Vida, que encenou com Antonio Fagundes. Uma quase coincidência: ela teve de deixar aquela produção pois estava grávida da primeira filha, Manuela. Agora, inicia a peça após ter seu segundo filho, Frederico, que nasceu em dezembro.
O convite para participar de A Garota do Adeus veio de Fieschi, que esperou a gestação da atriz para iniciar o projeto. Além de ser o protagonista masculino, ele produziu a peça, com seu sócio Luciano Borges, e adaptou o filme para o palco. Aliás, esta é a primeira versão para o teatro – em 1993, foi feito um musical da Broadway baseado na história e, em 2004, um telefilme para a TV americana.
O primeiro contato do ator com o universo de Simon foi em 2009, com a peça Um Estranho Casal, traduzida e adaptada por Gilberto Braga, em que teve Carmo Dalla Vecchia como parceiro de palco. Foi o próprio novelista que chamou sua atenção para o filme.
Na adaptação de Fieschi, a história se passa em São Paulo e Hélio, seu personagem – que, no cinema, foi interpretado por Richard Dreyfuss (ganhador do Oscar pela atuação) –, chega de Curitiba. No original, a trama é em Nova York e o personagem vem de Chicago. “Isso também eu peguei um pouco do Gilberto Braga quando ele fez a tradução de Um Estranho Casal. Ele abriu mão de qualquer localização geográfica. O Neil Simon é um autor muito nova-iorquino, mas o coração do trabalho dele são as relações humanas.”
Além da menina Júlia, que aos 6 anos fez parte do musical A Noviça Rebelde e recentemente participou da novela Amor Eterno Amor, como Elisa, estão no elenco Nilton Bicudo e Clara Garcia.
Clara se desdobra em quatro personagens, entre elas, a melhor amiga de Paula, Diana. Já Bicudo vive um coreógrafo mulherengo e um diretor alternativo que acha que o personagem shakespeariano Ricardo III é gay. “Ele entra em momentos cômicos do espetáculo, que fazem com que o espectador veja as ciladas que, às vezes, a gente se mete no teatro”, diz o ator.  ::