“Tiazinha não me incomoda mais”, diz Suzana Alves

Sucesso no fim dos anos 90 como a Tiazinha, no ‘H’, da Band, Suzana Alves, de 33 anos, estreia quinta-feira como protagonista de ‘O Casamento Suspeitoso’. A comédia, baseada na obra de Ariano Suassuna, fica até dezembro no Teatro do Sesi.

Redação

23 de agosto de 2011 | 10h24

Por Ana Carolina Rodrigues e Juliana Faddul

Sucesso no fim dos anos 90 como a Tiazinha, no ‘H’, da Band, Suzana Alves, de 33 anos, estreia quinta-feira como protagonista de ‘O Casamento Suspeitoso’. A comédia, baseada na obra de Ariano Suassuna, fica até dezembro no Teatro do Sesi. À coluna, ela falou do convite para viver Lúcia e, claro, sobre Tiazinha. “Já me incomodou (ser lembrada pela personagem), mas agora não me incomoda mais”.

 

Como surgiu a oportunidade de viver Lúcia?
O diretor Sérgio Ferrara fez o convite. É um enorme desafio, mas está sendo muito prazeroso e divertido. O elenco é sensacional e me recebeu com muito carinho. Tínhamos amigos em comum e o Sérgio gostou muito do meu trabalho no cinema. Fiz participações em filmes como ‘Boleiros II’ (2005), ‘Falsa Loura’ (2006), ‘O Cheiro do Ralo’ (2006) e ‘Pólvora Negra’ (2010), que ainda vai estrear.

 
Você já conhecia o texto? Como foi esse contato?
Não, mas quando li, a identificação foi imediata. Primeiro pelas diversas coincidências: o nome da personagem que eu interpreto é Lúcia, o mesmo da minha mãe na vida real; o meu noivo na peça se chama Geraldo, assim como meu pai. Além disso, Ariano Suassuna é um dos maiores escritores brasileiros da atualidade. Suas peças foram fundamentais para a formação do teatro brasileiro moderno.

 
O que conhece de Suassuna?
Li o romance ‘A Pedra do Reino’ na época em que estudei no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) e tive o privilégio de trabalhar na pesquisa do espetáculo com direção do Antunes Filho. Também li ‘O Auto da Compadecida’ e assisti às versões feitas no cinema.

 
O que foi mais difícil na preparação da personagem?
Tivemos pouquíssimo tempo de ensaio, pouco mais de um mês. Revisitei a biografia do Suassuna para retomar o universo dele, e também foi uma questão muito forte familiar. Minha família é de origem paraibana, meus pais nasceram lá, e com isso foi menos doloroso entrar na vida de Lúcia. Como a personagem tem duas caras, o mais difícil foi fazer a transição de mocinha para vilã, adequando tudo isso ao corpo e à voz.

 
Em quantas peças já atuou?
Contando as que fiz na adolescência, no Teatro Paramount (atual Teatro Abril) e no Teatro Itália, ao todo foram oito. Depois de três anos desde a minha última peça, ‘O Otimismo’, de Voltaire, volto agora com Ariano Suassuna.

 
Pensa em voltar à TV?
Se surgir uma proposta interessante, com certeza. Mas não faço disso meu objetivo de vida. Tenho uma rede de pilates, a Physique Pilates, o verdadeiro caminho pela melhor qualidade de vida, e pretendo continuar investindo na área da saúde. Amo o teatro, amo cuidar da minha saúde, gosto do que me faz feliz e de fazer as pessoas felizes. Vou continuar neste caminho.

 
Como lida com o fato de ainda ser lembrada como Tiazinha?
Já incomodou, porque estava buscando encontrar minha personalidade, mas agora não me incomoda mais.

 
Qual a importância da Tiazinha em sua trajetória?
Interpretar a Tiazinha me ajudou bastante. Eu amadureci, ajudei a minha família, viajei mundo afora e consegui investir nos meus estudos. Tive muitas coisas boas com uma personagem que fez tanto sucesso.