Uma bruxa para cuidar da família real

No palco, Rosi Campos vive a querida feiticeira do ‘Castelo Rá-Tim-Bum’ em uma aventura com a corte portuguesa. O espetáculo "A Saga da Bruxa Morgana e a Família Real" estreia hoje no Teatro Raul Cortez.

Redação

13 de janeiro de 2012 | 23h30

MAIARA CAMARGO

Já se vão quase 18 anos desde que as magias e histórias da bruxa Morgana, a tia-avó de Nino, começaram a encantar os pequenos telespectadores do Castelo Rá-Tim-Bum, programa que foi ao ar na TV Cultura entre 1994 e 1997, mas continua sendo reprisado até os dias de hoje. O sucesso absoluto da atração consagrou a personagem, que segue na memória de adultos que conheceram a feiticeira na infância, e agora são pais e mães. Mas Morgana ainda tem fôlego para conquistar novos admiradores. Essas diferentes gerações devem se encontrar a partir de hoje na plateia de  “A Saga da Bruxa Morgana e a Família Real”, espetáculo que estreia hoje.

O texto de Alonso Alvarez une a presença da consagrada bruxa à história do Brasil. A trama parte do fim do ano 1807, momento em que a corte portuguesa decide fugir das tropas de Napoleão Bonaparte e aporta no Brasil, já em 1808. Junto com os portugueses também vem para cá o misterioso Livro de Areia, uma obra mágica que pode ser muito perigosa nas mãos erradas. Para recepcionar a realeza, uma festa é organizada no castelo de Morgana, uma das poucas construções com glamour suficiente para abrigar a corte. O problema é que uma bruxa má, Wiloa, está de olho no livro.

É a terceira vez que Rosi Campos leva a personagem para o palco. Em 2006 e 2009, ela protagonizou “A Saga da Bruxa Morgana e o Enigma do Tempo” e  “A Saga da Bruxa Morgana e o Princípio de Todas as Coisas”. Antes, em 1999, Rosi participou de “Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme”, de Cao Hamburguer. Para a atriz, é uma honra voltar a viver a feiticeira. “É uma figura que já tem vida própria, está no imaginário popular. Eu digo que é o meu momento chique”, afirma. “Ela tem esse ar de tia, avó, alguém que conta histórias. E a contação nunca vai acabar, está nas nossas cabeças.”

A ideia de misturar ficção com realidade surgiu em 2007, no início das comemorações dos 200 anos da vinda da família real ao Brasil, conta Alonso Alvarez. “A inspiração surgiu naquele momento. Eu incluí na peça lendas locais, como a do guaraná, bebida que é oferecida aos membros da corte. Foi uma forma de dar mais um toque lúdico à história, que já tem Morgana. Mas muita coisa saiu da confusão real que foi a chegada da realeza”, diz ele.

Para Christiane Tricerri, diretora do espetáculo, o lado lúdico de um fato histórico deve despertar a curiosidade das crianças. “A história serve de pano de fundo para a trama, mas cumpre a função de provocar nelas um interesse na origem do próprio País”, diz. Além de Rosi, outros dez atores compõem o elenco. “É ótimo poder ter tanta gente em cena. São vários figurinos, a coxia fica agitada, é uma delícia”, afirma a diretora.

Um outro destaque do espetáculo são as canções, que têm direção de Charles Dalla. Embora não se trate de um musical, em que toda a trama é cantada, a montagem traz pinceladas do gênero. “A ideia aqui não é que todo mundo fique cantando. Foram criadas algumas passagens nas quais os personagens cantam”, esclarece Dalla. Acostumada a cantar nos espetáculos de seu grupo, o Circo Grafitti, Rosi não se intimida na hora de soltar a voz. “É uma atriz cantando, mas, na minha carreira toda, eu fiz musicais”, conta.

Serviço:
“A SAGA DA BRUXA MORGANA E A FAMÍLIA REAL
Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 258
Tel: 3254-1700
Sábados e domingos, às 16h. Até maio. Ingresso: R$ 40. Livre