Vânia Bastos se apresenta hoje e amanhã em SP

Era 1990. A cantora paulista Vânia Bastos e o compositor e cantor carioca Edu Lobo confabulavam um show juntos, em São Paulo. Chegaram a conversar sobre o assunto no Rio. Um impasse nas agendas, no entanto, fez com que o projeto não vingasse e, com o tempo, fosse esquecido

Redação

23 de julho de 2010 | 00h30

Adriana Del Ré

Era 1990. A cantora paulista Vânia Bastos e o compositor e cantor carioca Edu Lobo confabulavam um show juntos, em São Paulo. Chegaram a conversar sobre o assunto no Rio. Um impasse nas agendas, no entanto, fez com que o projeto não vingasse e, com o tempo, fosse esquecido. Vinte anos se passaram e o produtor Thiago Marques Luiz, sem saber dessa antiga história, propôs à intérprete um disco só com canções de Edu Lobo.

A velha chama se acendeu. E apesar de os dois nunca terem dividido o mesmo palco, Vânia se reencontrou com a obra do compositor, com direito a uma bela e interessante participação dele em ‘Gingado Dobrado’ (Edu Lobo e Cacaso), uma das 12 faixas de seu CD ‘Na Boca do Lobo’. O novo trabalho, ela apresenta hoje e amanhã no Auditório Ibirapuera.

“Ele é um compositor detalhista ao extremo. Mas pensei: ‘Vamos lá’. Ao mesmo tempo que existia a responsabilidade, o mergulho musical foi muito bom. Ronaldo Rayol (violonista e diretor musical do CD) conhece bem a obra dele”, conta Vânia. “Quando estávamos gravando, quis a participação do próprio Edu, que colocou voz em ‘Gingado Dobrado’ . Depois, mandei o CD para ele ouvir. Edu respondeu elogiando, o que me deu muita paz”.

Vânia disponibilizou sua linda voz a serviço de uma obra impregnada de brasilidade, transportada para o CD ‘Na Boca do Lobo’ em músicas como a instrumental ‘No Cordão da Saideira’, além de ‘Viola Fora de Moda’ e ‘Negro, Negro’ (ambas em parceria com Capinan) e ‘Upa Neguinho’ (com Gianfrancesco Guarnieri).

Da dobradinha Edu e Chico Buarque, Thiago, Rayol e Vânia chegaram a ‘O Circo Místico’ (que, na trilha original do disco ‘O Grande Circo Místico’, de 1983, era cantada por Zizi Possi) e ‘Meia-Noite’. Do compositor de diferentes momentos e parceiros musicais, eles selecionaram, ainda, ‘Canção do Amanhecer’ (parceria com Vinícius de Moraes) e ‘Vento Bravo’ (com Paulo César Pinheiro). No lado B do álbum ‘Missa Breve’, de 1973, que une o popular com o litúrgico, encontraram ‘Glória’, toda cantada em latim.

“As sugestões para o repertório vieram do produtor e do Rayol, inclusive algumas coisas que eu não me lembrava. Como no caso do disco ‘Limite das Águas’ (1976), que pediram para eu ouvir e é um lado escondido do Edu”, conta Vânia, uma das vozes marcantes da vanguarda paulista, movimento cultural presente em São Paulo entre final dos anos 70 e meados de 80 e do qual também fizeram parte nomes como Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé.

Não é a primeira vez que a intérprete revisita a obra de um compositor num álbum todo dedicado a ele. Ela já o fez nos discos ‘Vânia Bastos & Cordas – Canções de Tom Jobim’, ‘Cantando Caetano’ e ‘Vânia Bastos Canta Clube da Esquina’. “Sou cantora, não compositora. Acho bacana uma cantora brasileira interpretar seus compositores. Me sinto privilegiada em poder ter realizado isso”.

Ouça abaixo trecho da faixa ‘Gingado Dobrado’, com participação especial de Edu Lobo:

Download Gingado Dobrado