Violões entre amigos

Intitulado 5 a Seco, projeto reúne cinco jovens músicos que se juntam para fazer aquilo que mais gostam: compor e tocar seus instrumentos de modo despojado. No circuito universitário, há quem os chame de os novos Chico Buarque, sem amarras da censura

Redação

14 Dezembro 2010 | 23h28

Projeto 5 a Seco reúne jovens de 21 a 26 anos (Foto: Epitácio Pessoa/AE)

Pedro Antunes

“Agora estou sob pressão”, diz uma voz quase adolescente. “Vai”, responde outro, fazendo a contagem inicial. A câmera filmadora mantém um close fechado numa sacada de vidro. Os violões começam a ser tocados e, aos poucos, a câmera revela os cinco integrantes do grupo 5 a Seco, que se mostram pouco à vontade diante da lente. Eles são músicos jovens – não jovens músicos, já que todos tocam desde pequenos. Quando a imagem abre mais, é possível ver onde estão sentados: na calçada da lavanderia 5à Sec.

Trata-se apenas de uma brincadeira com o nome do grupo. Ou banda? Na verdade, nem um, nem outro. O 5 a Seco é um projeto de Pedro Viáfora, Pedro Altério, Léo Bianchinni, Vinicius Calderoni e Tó Brandileone. Melhor dizendo, é apenas um nome escolhido para representar um bando de amigos que resolveram tocar juntos. O nome, na verdade, quer mostrar o som dos cinco amigos a seco – de forma bruta e despojada.

O bom humor e a descontração são pontos altos. É natural da idade – eles têm entre 21 e 26 anos. Mas quando a música começa, a descontração some. Eles fazem uma nova MPB, bem arranjada e com letras pensadas. No circuito universitário, há quem os chame de os novos Chico Buarque. Um elogio e tanto, mas exagerado de certa forma. Não que lhes falte talento, mas os tempos são outros. Não há a Ditadura para combater.

As composições dos cinco jovens são mais leves, soltas, sem as amarras da censura. A música tocada em frente à lavanderia se chama Faça Desse Drama, uma criação do grupo, banda, projeto, enfim… Uma canção que, como tantas outras, fala de uma desilusão amorosa. Mas com um frescor juvenil, que só pode ser criado nesta fase da vida, quando as coisas ainda se resumem a faculdade, violão e se apaixonar.

“Queira cara ou não queira / Tome a saideira / Cara, beba agora / Pois demora hora / uma vida inteira”, cantam os cinco em uníssono. A jovialidade não esconde a beleza da letra. “Onde a curva do amor findar / Corte que não quer fechar / Ande onde a onda te levar / Se naufragou, faça desse drama sua hora / Faça disso a hora de recomeçar / Para conviver com a dor / Para a dor também saber passar / Se já passou, dê sorriso à cara / E vá embora”.

Um ano de projeto
O 5 a Seco começou em junho do ano passado, quase sem querer. A primeira apresentação foi na Sala Crisantempo, na Vila Madalena, local onde eles voltam a tocar hoje e amanhã, numa nova mini-turnê. Eles eram divididos em dois grupos: Os Pedros (Viáfora e Altério) e Danni Black – que saiu do projeto em setembro, para seguir em carreira solo, e foi substituído por Léo Bianchinni –; e, do outro lado, Tó e Vinicius.

Tó e Danni se conheceram na escola de música da faculdade Santa Marcelina. “Na verdade, todos já nos conhecíamos. Tínhamos uma amizade pequena”, explica Pedro Viáfora.

Acontece que todos eles têm suas carreiras solos e frequentaram shows de amigos em comum. Aos poucos, uma amizade mais forte surgiu. Ao mesmo tempo, por terem suas próprias carreiras como músicos, os rapazes do 5 a Seco se mantém como um projeto. É e não é uma banda propriamente dita. Como eles mesmos costumam dizer, o 5 a Seco ajuda nas suas carreiras solo, e vice-versa.

O forte do projeto são os shows. Neles, os integrantes mostram seu trabalho. A escolha do repertório é bem dividida. “Ninguém toca mais música própria do que o outro. Os primeiros repertórios eram calcados em trabalhos nossos. Aos poucos, fomos fazendo parcerias entre a gente. E começaram a surgir coisas novas”, explica Vinicius Calderoni.

Por causa da carreira de cada um, o 5 a Seco não deve ganhar um disco de estúdio tão cedo. No MySpace da banda (www.myspace.com/cincoaseco), é possível ouvir cinco gravações deles. Não há previsão para outras. São nos vídeos das apresentações, encontrados no Youtube, que é possível conhecer mais do trabalho deles.

“O 5 a seco nasceu pra fazer shows”, completa Calderoni. Por isso, o primeiro registro oficial deve sair como um CD e DVD ao vivo, em junho do ano que vem. Algo ainda tão despretensioso quanto cinco amigos tocando violão numa calçada qualquer.

Show do 5 a Seco
Sala Crisantempo. Rua Fidalga, 521, Vila Madalena. Fone: 3819-2287. Hoje e amanhã, às 21h30 e às 23h. Participações de Gianna Viscardi (hoje) e Tatiana Parra (amanhã). R$ 40.

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