Os Direitos do Homem

Estadão

25 de agosto de 2010 | 07h59

Bruno Lupion, do estadão.com.br – Foto: JB Neto/AE

O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver, teria dito Rui Barbosa com uma pitada de exagero. Afinal, como o homem vai lutar pelos seus direitos, se nem os conhece?

Nos últimos vinte anos, o Brasil avançou bastante na área do consumidor: a população sabe seus direitos, ouviu falar do Procon e recorre aos juizados quando é mal atendida, pelo menos nas grandes cidades.

Já na área penal, o cenário é inverso: poucos conhecem seus direitos e os jornais vivem divulgando abusos de autoridade. Para piorar, quem é pobre dificilmente consegue advogado ou defensor público com rapidez.

Um exemplo simples para reverter essa carência vem do 37º Distrito Policial, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Quando entra ali, a primeira coisa que o cidadão vê é um imenso painel, cinco metros por três, com a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Os trinta artigos estão na íntegra, em português, numa letra para míope algum botar defeito. Fazia tempo que não lia esse texto e tinha me esquecido da sua beleza. Ele foi proclamado pela ONU em 10 de dezembro de 1948, logo após a II Guerra Mundial, com o objetivo de lançar as bases de um mundo com liberdade e democracia, sem barbárie ou miséria, no qual todos têm direito a uma vida digna e “ao pleno desenvolvimento da sua personalidade” – meu trecho favorito.

Hoje, a Declaração Universal dos Direitos do Homem é o documento traduzido no maior número de línguas do mundo: existe em 375 idiomas. A versão em português você encontra aqui.

* A frase citada na primeira linha é popularmente atribuída a Rui Barbosa, porém as pesquisadoras da Casa de Rui Barbosa não conseguiram localizar, a pedido do blog, essa expressão nos escritos do mestre.

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