Remédios selvagens e iguanas envelopados

Estadão

28 de setembro de 2010 | 09h53

Texto e fotos: JB Neto/AE 

Quinhentas caixas de remédios roubados abandonadas em uma matagal de Itaquera. Dois iguanas encontrados em uma embalagem de Sedex no Parque do Carmo. Ocorrências apresentadas ao mesmo tempo no Departamento de Policia de Proteção à Cidadania (DPPC), com oito guardas ambientais esperando do lado de fora. À primeira vista, qual delas é atendida pelos guardiões da natureza?

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Fui ao DPPC fotografar a apreensão da grande quantidade de remédios roubados. Na calçada, guardas ambientais informaram que algumas equipes da imprensa já estavam na sala, entrevistando o delegado. Olhando de longe, próximo aos cinegrafistas, havia sobre a mesa dois “pacotinhos” com um rabo imenso e verde: iguanas enrolados em bandagem e fitas adesivas, que seriam despachados a uma moradora de Belo Horizonte.

Terminadas as fotos dos répteis imobilizados, fui para o lado de fora da delegacia. “Oito guardas florestais para cuidar de dois iguanas?” – indagou um dos jornalistas. Logo ele foi interrompido pelo delegado, que agora nos chamou para fotografar e filmar os medicamentos.

Só então ficou explicado. Os guardas ambientais estavam ali por terem encontrado os remédios em uma área de preservação ambiental – alguns deles mal sabiam do que estávamos falando quando peguntamos sobre os iguanas.

Um outro jornalista chegou por último, quando todos já haviam terminado e, com medo de não conseguir imagens dos animais, nos perguntou esbaforido: “Onde estão os iguanas que estavam dentro da caixa de medicamentos?”. Mesmo correndo, não ficou sem resposta: “Iguana que era pra estar no mato, estava na caixa. E medicamento que era pra estar na caixa, estava no mato”.

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