A moto bem comportada

carloseduardogoncalves

24 de março de 2015 | 09h41

Ontem, num trânsito infernal, um motoqueiro que não conseguiu por 4 segundos passar adiante, pois minha mulher mudava de pista com dificuldade, xingou-a pesadamente, nem um pouco se importando para o fato de haver uma criança no carro. Eu teria tentado matá-lo se estivesse lá. Talvez morresse, claro.

Hoje ocorreu algo muito diferente dessa violência. Um motoqueiro vinha no centro da pista, como um carro, à minha frente. O único motoqueiro que vi em toda minha vida que não andava entre as pistas. Ele ia devagar, parecia inseguro até. Ziguezagueava um pouco, tinha uma roupa e um jeito de pessoa calma e educada. Seguimos uns 10 minutos assim, mas eu pressentia que aquilo iria mudar, passei a imaginar que ele tomava coragem para tornar-se um motoqueiro “normal” e passar para o lugar “correto”, o entre-faixas. Foi então que ele ligou o pisca. Pensei: é agora, vai passar pelos lados dos carros, bater em alguns retrovisores e sumir!

Não. Ele simplesmente passou para a pista do lado, inteiramente, e continuou sua viagem como se fosse um carro.