Carta a Joaquim Levy

carloseduardogoncalves

18 Dezembro 2015 | 19h36

De algum lugar da America do Norte

Prezado Joaquim,

Os navios chegaram e trouxeram as Folhas que trouxeram a notícia. Respira aliviado, meu caro? Quando vem a podar as rosas do jardim? Por aqui, um inverno atípico, sem neve, sem frios de causar arrepio. Mande-nos uma missiva dizendo quando chega, a coisa de escrever cartas está na moda de novo!

Joaquim, você queira me desculpar a sinceridade, mas eu já sabia. Sim, sim, desde o anúncio de que seria você o novo Ministro, eu já esperava esse dia fatídico. Veja só, meu prezado, a gravação que me chegou às mãos (esse negócio de gravação está na moda!)

“Tragamos (no pun intended) aquele moço de Chicago, que acha que receitas e gastos têm que se equilibrar ao longo do tempo, que acha que crédito publico aos borbotões não é saudável, que preza por transparência, que diz que inflação alta não ajuda no crescimento, e ponhamos ele lá na cadeira da Fazenda” .”Mas, a senhora pirou, isso vai contra tudo que acreditamos, e que fizemos!?” “Não seja tolo, ele não vai conseguir aprovar nada dessas idéias escabrosas, ele não vai ter apoio; e o Rui vai marcar ele em cima, vai chiar bastante, e a gente aqui finge um pouco que concorda com ele, depois desmente, é simples assim”. “Mas por que chamá-lo então?”. “Mas você é mais tolo do que eu pensava, hein? Para por a culpa nele depois, oras! Nele e no PSDB; no FHC, também, claro, a culpa é sempre dele no fim das contas!” .”Ah, parece bom! Mas, não entendo uma coisa: a economia, todos sabem, já estava em frangalhos antes dele chegar. Será que as pessoas vão comprar essa história de que a culpa é dele, mesmo se ele não conseguir aprovar nada?” . “O mestre me ensinou que se a gente mentir bastante, de modo insistente e sem ruborizar, uma hora eles acreditam”.  “Ah, o mestre!”. 

Tudo aqui no meu gravador, Joaquim! Não é uma beleza? Se me pegarem agora — ficou pendente uma conta da NET de uns 100 Reais que chegou depois de eu me mandar de Terra Papagalis — eu peço delação premiada!

Olha, Joaquim, eu acho que você sabia do que risco que corria ao aceitar essa bucha aí, e foi assim mesmo para tentar inculcar um pouco de racionalidade nessa turminha. Na verdade eu acho (conjecturando aqui, hein, isso eu não tenho gravado não) que você até queria, mas estava com muitos receios e aí veio o senhor B. e pediu gentilmente para você aceitar, dizendo que era importante para o país, e blá, blá, blá…pois é, não funcionou. O Brasil, que já ia se equilibrando na corda bamba, agora vai descer ladeira abaixo. A irracionalidade venceu a esperança. Eu que sempre amei o meu país, essa noite vou acordar encharcado de suor, no meio de um sonho medonho. A última ficha caiu, Joaquim. Bye-Bye, Brasil.