“La magie n´existe pas”

A inesperada morte de Eduardo Campos

carloseduardogoncalves

13 Agosto 2014 | 15h15

Quando saía de casa hoje pela manhã, recebi um telefone de um amigo, me informando da morte do Eduardo Campos.

Eu lhe disse, irrefletidamente: “não, não pode ser, eu o vi ontem mesmo no JN”– como se isso assegurasse sua existência hoje, como se de algum modo mágico, o fato de ele estar na TV ontem, tão próximo a tantos, pedindo o voto do eleitor em cadeia nacional, devesse necessariamente e por intangíveis canais, impedir a queda do seu avião hoje.

Quando a morte se dá de modo assim tão marcadamente aleatório, exageradamente inesperada e catastrófica, ela torna-se incomparavelmente ominosa e nos faz sucumbir —  a virtualmente todos nós.

Lembrei-me, minutos depois e ainda chocado, da frase final do maravilhoso desenho francês “L´Illusioniste”, rabiscada pelo magnânimo Mágico-Ilusionista no pedaço de papel que serve de carta de despedida a sua menininha, inopinadamente adotada nos fiordes: “la magie n´existe pas”.