Menos virou mais!

Alquimia fiscal

carloseduardogoncalves

13 Novembro 2014 | 10h52

“É estarrecedor, candidato”

“Seria cômico se não fosse vocês já sabem o quê”

“Perde-se a capacidade de expressão diante de tamanha ignomínia”

“É ominoso, senhores !”

“Como dizem os mais jovens: é coisa de maluco”

“É um choque muito duro do qual será difícil de se recuperar”

“O tal samba do crioulo doido”

“Le Bresil n´est pas serieux” (foi um assessor do De Gaulle que disse, não ele)

“Tenebrosas prestidigitações” (desculpe-me Chico, aliás quando sai o novo livro?)

“Perdi o chão, preciso me sentar”

“Nunca antes na história da república (e do Império, e da Colônia, e até antes)”

“Alguém desmaiou, acudam, acudam”

“Vai passar?” (desculpe de novo, Chico)

“Ame-o ou deixe-o, oras bolas!”

“Isso não pode estar acontecendo, não pode…”

“Tá tudo virado de ponta cabeça — upside down e eu sou um clown”

“Abracadabra!”

Escolha uma das expressões acima, meu caro leitor. O momento é propício. Eu diria até que o momento demanda, exige! Nessa semana, o governo voltou a dar rasteira na economia. Vendo que está muitíssimo longe do que prometeu em termos de economias fiscais, ele aumentou ainda mais a quantidade de recursos que podem ser abatidos da meta de superávit primário de 2014, aos 44 minutos do segundo tempo. Aumentou tanto que se ele fizer déficit, isso é, se o número for negativo, ele ainda poderá argumentar que legalmente entregou um superávit de 80 bilhões! Em poucas palavras, o governo transformou menos em mais. É, cá com meus botões, está parecendo que chegou a hora de correr para o aeroporto. O duro é que vai ter uma baita fila.