No mundo desenvolvido…

carloseduardogoncalves

11 Junho 2015 | 18h05

…a vida nao eh moleza.

Uma perua leva a gente ate o caminho que leva ao metro. A perua eh baixa e compridissima. E so tem uma porta: uminha so, meio na frente. Era pra ter umas 5 portas, a julgar pelo comprimento. Voce entra e se arrasta — como fiz hoje — feito um rato ate a poltrona de tras porque as da frente ja estao tomadas as 8.27 e eu nao consigo chegar antes desse horario por motivos que nao quero aqui discutir. A coluna vai dobrada e doendo e eu tenho hernias fortes na lombar. Ai voce senta, mas sua cabeca (ou melhor, a minha) esmaga o teto (ou melhor, o teto esmaga minha cabeca) e ninguem fala com ninguem, todo mundo ali nos seus Iphones.  Um sofrimento de uns 5 minutos ate o tal lugar perto do metro. Mas ai para sair eh o reverso que da na mesma coisa. Dobro-me todo e vou tropecando pela lateral sem portas ate conseguir alcancar a porta.

No metro as coisas pioram. Lotadissimo. Pior que na estacao Se no horario de pico.

MAKE WAY, MAKE WAY. Make way ate voce ficar bem enlatado mesmo, na vertical. Quem tem crise de panico como eu corre graves riscos de colapsar. E ai voce vai sendo empurrado para o meio aos berros do ” ALLOW CUSTOMERS TO GET IN”  e de “MAKE WAY”. E quando chega sua hora de sair? Lembre-se: voce foi parar la no meio do trem (a proposito, os motoristas dos trens tem aquela adoravel mania de frear e acelerar o tempo todo, o que significa que em meio a isso tudo voce esta quase vomitando e com horriveis dores de cabeca), entao eh uma batalha para sair. MAKE WAY, MAKE WAY, agora sou eu que grito, em meio a varios SORRY, SORRY.

E nao terminou. Saindo do metro eu caminho mais uns 20 minutos, sob intenso sol e com a hernia piorada. Ai tento ligar pra alguem via Skype ai no Brasil e ninguem nunca atende. Nesse momento, todos os dias, sinto vontade de voltar. Mas penso bem e decido ficar um pouco mais, para aprender ingles e poder comer burritos no almoco.

Finalmente, ao cair da noite eu troco de roupa e comeco a montar as camas compradas na Ikea, ajoelhado, costas dobradas, lendo manual com letra pequena, e procurando os parafusos corretos.

Realmente, tem sido muito interessante essa experiencia de morar fora.