“O Economista”: empregos de má qualidade

Vagas de "má qualidade"? Mas que bom !

carloseduardogoncalves

10 Agosto 2014 | 16h07

—Fala sério essa lamentação sobre a criação de “vagas de pior qualidade”. Como se fosse algo ruim a economia criar empregos que pagam salários mais modestos!

— blablablablabla…

— Nada disso, é bom criar vagas de “má qualidade”, meu caro. Isso mesmo, me ouviu bem. Sem essas vagas, onde trabalhariam as milhões de pessoas com baixo nível educacional. Elas ficariam sem trabalho, entiende usted? A opção a essas vagas aí não são milagrosos empregos de ótima qualidade, são não-vagas.

— blablablablabla…

— O quê? Ah, deixa de cinismo ! Muitas das vagas são de má qualidade justamente porque no Brasil o nível educacional é vagabundo. Aí as vagas não poderiam ser a maravilhosas, poderiam? Nível educacional vagabundo e vagas maravilhosas num rola, hermano.

— blablablablabla…

— Ah?? Mas eu não estou falando isso, seu descarado!! Usted é surdo ou o quê? Tô falando que não tem milagre, que para termos vagas de alta qualidade, pagando bem, precisamos de uma verdadeira reforma no sistema educacional, e que isso toma anos e anos, e precisa de continuidade nos projetos educacionais. Vagas boas aparecerão naturalmente se a mão-de-obra for mais qualificada. Como? Pra começar: falta avaliação e cobrança no setor público de educação: precisa poder mandar o professor ruim embora, e pagar mais para o professor empenhado. Só meter mais dinheiro não resolve, entende? Precisa mexer com os incentivos, tornar mais atraente a carreira para os que gostam e sabem ensinar decentemente.

— blablablablabla…

— Mas será possível!? Olha que eu já estou perdendo a paciência com o señor ! Experimenta isso então, você que é todo poderoso: manda as empresas abrirem apenas as vagas de altíssima qualidade, aquelas com bom salário e outras regalias, mas só essas, ok?  Aí vai medir a taxa de desemprego um tempinho depois, vai lá. Aí usted volta aqui pra gente conversar.

— bla?