“O economista”: jóias hiper-caríssimas

"Meu bem, compre-me um colar de 100.000 dólares !"

carloseduardogoncalves

12 Agosto 2014 | 09h26

Já foi você numa dessas lojas que vendem joias realmente caras? Lá dentro há brincos, colares e anéis que oscilam entre caros, muito caros, caríssimos, e hiper-caríssimos.

Essas joias hiper-caríssimas (com valores superiores à renda da vida inteira desse pobre escriba aqui) ninguém efetivamente compra, ninguém mesmo; elas ficam expostas lá numa redoma linda de vidro, num lugar central da loja, mas todos, mesmos os ricaços, só as admiram.

Dado que elas não são compradas nem pela Gisele, por que raios elas são oferecidas?

A resposta dos estudiosos de “economia comportamental”, uma interessante área de pesquisa que junta psicologia e economia, é a seguinte: essas hiper-caríssimas têm uma função muito bem definida: elas fazem as caríssimas parecerem apenas caras, e as caras, ridiculamente baratas! Em outras palavras, elas funcionam como um ponto de referência e assim afetam a percepção de quão caras são as outras joias vendidas pela loja.

Ouvi certa vez em Nova Iorque uma brasileira acossando seu pobre marido com a seguinte lógica: “ok, benzinho, entendo que não dê pra comprar o colar de 10 milhões de dólares, mas o de 100 mil dólares, ora faça-me o favor!!”