“O economista”: tarifa do táxi

Nessa seção do "O Economista", visitamos um táxi que leva uma senhora curiosa

carloseduardogoncalves

07 Agosto 2014 | 07h28

— Oi, filho, tudo bem?

— Sim, mas onde você está mãe, que barulho é esse?

— No táxi, meu bem, indo ao médico. Viu, eu perguntei ao Carlos aqui por que o táxi tem uma parte da tarifa fixa e outra variável, mas ele disse que não sabe direito. Aí resolvi te ligar, amor.

— Mãe, não vai desagradar o Carlos isso?

— Que nada, ele é curioso! E inteligente! Ele disse que se fosse tudo variável, o valor por km rodado seria maior, prejudicando o cliente. Não é isso, Carlos?

— De fato, mãe, de fato seria mesmo. Sem a parte fixa, a variável teria que subir para compensar. Mas a pergunta é: por que é melhor para todos assim, com parte fixa e variável, ao invés de tudo variável.

— Boa, filho! E…de fato, por que hein?

— Mãe, tem que pensar em como são os custos do taxista. Tem um fixo, associado à compra do carro, e um variável, associado ao uso (gasolina, desgaste, etc). A tarifa que ele cobra tenta meio que imitar isso, com uma parte fixa e outra variável. Veja só: o custo de rodar um km adicional quando o passageiro já está no carro é relativamente baixo, então é eficiente não cobrar muito alto pelo km adicional, e assim se incentiva as corridas mais longas. Mas para possibilitar um preço mais baixo por km rodado, dado que o taxista tem que pagar as prestações do carro que são altas, ele precisa compensar em algum lugar: e é na parte fixa ! Além disso, um cara que pega o táxi para rodar um pedacinho de nada é um problema para o taxista, que ao atende-lo pode estar perdendo a oportunidade de uma corrida mais longa com outro potencial cliente. A parte fixa compensa isso também.

— Ah, filho, que beleza hein?! Gostei, gostei sim. Vou desligar aqui que o Carlos tá louco pra saber a resposta. Beijão, te amo, viu? Ah, não esquece de não pisar no chão sem meias, ok? Tá muito frio!