O otimista e o pessimista

Para onde foi o Otimista?

carloseduardogoncalves

08 Agosto 2014 | 07h11

Pessimista:

Não parece às vezes que a vida é uma brincadeira de mau gosto? A gente nasce sem pedir, muitas vezes no meio de gente absolutamente estranha, com desvio de septo, orelha grande e outros defeitos, padece de enfermidades múltiplas, primeiro leves (mas nem sempre), depois horríveis, e passamos com muitas dores e aflições. E doenças da mente também, ah sim, que são as piores. E no meio do caminho, esse meio do caminho tem tudo quanto é tipo de pedra obstando: dificuldades financeiras, amorosas, decepções vindo de todos os cantos, nem me fala…o tanto de sonhos não concretizados ultrapassa muito de longe as tais “realizações”. É, não se inventa emplastro algum, amigão, pergunte aí ao senhor Cubas. Mas não é só isso, claro. Morrem primeiro os avós, depois pais e tios, e finalmente alguns primos, irmãos e amigos; tudo isso para no fim você morrer também, ou num estalo desavisado — você todo atônito pensando “cacete, morri” — ou então num arrasto horrendo, numa cama de hospital, cheio de feridas por não poder se mover direito, todo cortado por bisturis, pelado com uma porção de gente estranha vendo. Para quê tudo isso, vamos me diga aí: para quê?

Otimista:

Veja, mas não é só isso, meu amigo. E os lírios do campo? E os filhos, que delícia vê-los crescer, e as…

Pessimista:

E as o quê? Ei, tudo bem com você, Otimista? Alô, alô ! ? Puta m* ! Alguém aí chama a ambulância, pelo amor de Deus, acho que ele teve um enfarte! Alguém, tem alguém aí?!