O populismo messiânico

carloseduardogoncalves

24 de maio de 2016 | 18h17

Esses anos de lulopetismo messianico-populista fizeram grande mal à sociedade brasileira, em termos economicos claro, mas também em termos morais, de identidade, de formação. Contribuíram para isso: a crença infantil num Messias redentor vindo de baixo que desloca a critica racional para a zona do escanteio; a apologia da ignorância (ter presidente que tem só o primário virou motivo de orgulho nacional); a prática desabrida do estratagema 34 de Schoppenhauer (na falta de argumentos melhores…); a propaganda oficial maniqueísta pregando uma divisão do mundo entre o Bem (os lulopetistas) e o Mal (todos os outros); o dinheiro público gasto com a manutenção de pequenas claques (exércitos?) de blogueiros governistas sustentados com o dinheiro dos nossos impostos; o apoio aberto e financeiro a grupos de vândalos como o MTST; a absoluta incompetencia administrativa em muitas áreas (talvez não todas, não tenho como opinar); o voluntarismo na condução da Economia (que deixou o país quebrado), a desonestidade sem limites praticada na campanha eleitoral (lembram da história do prato de comida sumindo da mesa por conta da proposta de Marina sobre a independência do BC?); o desprezo pelo debate de ideias (para quem acha que existe uma só verdade, para que o debate?); a institucionalização da corrupção como instrumento de governabilidade (se é pelo bem maior, os meios não importam: Petrolão, Mensalão e outros _ãos!); a desmoralização no cenário internacional (voltamos ao estágio de república das bananas, risível); o desprezo pela Lei (mas pagaram caro por essa).

A culpa disso tudo? Nossa mesmo, e aqui implico diretamente as zelites desastradas e corruptas e nós economistas, ou alheios no intramuros acadêmico, ou alienados (popotizados?) pela beleza elegante de um modelo de equilíbrio geral sem fricções.

Nesses últimos anos, vi confirmada a tese de que o inferno está cheio de boas intenções. O que talvez não soubessemos — a grande revelação — é que ele também está cheio de más intenções.

Nós economistas temos um papel na luta pela erradicação do populismo-messianico. Mas creio que não é esse — no qual também tomei parte nos últimos meses — de fazer o embate violento diretamente com o outro lado. É algo mais simples e mais poderoso. ..que tal começarmos explicando nas salas de aula e fora o conceito de restrição orçamentária? Depois indo para escolhas sobre restrição, e a partir daí a oferta e a demanda, e as ineficiências dos subsídios na ausência de externalidades; e os papéis do Estado e do Privado, e assim por diante etc e tal?