Os fantasmas

carloseduardogoncalves

21 Fevereiro 2015 | 20h19

Domingo. Todos saíram de casa e fiquei a sós com os fantasmas.

Corajoso, apaguei as luzes para escutar melhor suas lamentações, ouvir suas críticas e saber das novidades. Eles riram de tamanha estultice e sentaram-se confortavelmente — em carne e osso — a meu lado no sofá, confrontando a luz do sol que entrava em resquícios pela janela aberta como se humanos fossem, sem espantos.

Brevemente, explicaram-me a situação toda e disseram-me que não havia mais o que ser feito. Acrescentaram que ter medo e sentir tristeza era a reação normal.

Quando mencionei o remorso que sei irá me invadir, eles responderam: “já isso, meu caro, é culpa somente sua”.

Agora já é noite e todos voltaram. Os fantasmas, obviamente, se foram.