Plágio de plágio é plágio?

Aos dois maiores plagiadores do Pacaembu: Toledo e Urso

carloseduardogoncalves

02 Setembro 2014 | 15h39

Eu me cansei de ouvi-los plagiar Sêneca. Celso Toledo e Carlos Urso, dois plagiadores baratos.

Fica a pergunta: plágio de plágio é plágio? Vamos ao conto…

Num restaurante no Pacaembu:

— Calma lá, não terminei ainda não!

— Oh, perdoe-me senhor. É que…

— Sim, eu bem sei, estudei economia quando era jovem, entendo que o custo do aluguel sendo fixo e alto, é crucial para o Café que haja rotatividade de clientes – ganhos de escala, hein!? Mas veja, estou disposto a pagar uma certa quantia para permanecer aqui até terminar de ler meu jornal. Que tal? Quanto sairia isso?

— Ah meu senhor, mas o que o senhor diz é…absolutamente, quero dizer, em uma palavra…repugnante! Peço novas desculpas, e imploro que as aceite. Ah, como coro! Não posso sequer olhá-lo nos olhos, meu nobre senhor. Sou um verme. Não mereço nem mesmo essa sopa de peixe que Natasha nos serve nos fundos do restaurante. Ofendido, humilhado.

— Meu rapaz, não, não, pare com isso já. Essa mania, essa estratégia – sim, pois trata-se de uma estratégia deliberada, estou certo disso – de se fingir um personagem de Dostoyéviski é absolutamente ridícula.

— Mas, mas, desse modo não lhe pareço mais douto, senhor? Ah, quanto infortúnio me traz isso que acaba de me dizer! Mato-me, certamente. Duvida, hein? Pois…apenas, apenas sinto que Natasha não aguentaria.

— O falso douto é enfadonho somente, me entendes? A propósito, aquele senhor ali, três mesas para a esquerda, está saindo muito caro para o seu Café, já está sentado faz mais de uma hora e comprou apenas um mísero cafezinho. Trata-se de um falsário, meu caro. Note: a xícara que ele leva à boca está vazia, não resta um pingo de café dentro. Vamos, mexa-se, expulse-o logo dali e volte aqui depois, para discutirmos “Fedor” e Sêneca mais tranquilamente.