Por em perspectiva

carloseduardogoncalves

12 Agosto 2015 | 13h58

Ele insistia em me chamar de sir, e depois da segunda tentativa — you don’t have to call me sir — desisti.

Eu ia triste, minha familia longe por duas semanas, um apartamento grande vazio de tres criancas (quatro?) deprime qualquer um.

Ai ele me contou a historia dele. Veio da India faz 2 anos, de uma cidade a 9hs de carro de Bombaim. E virou motorista de taxi aqui.

— E a sua familia?

— They are there, sir. Too expensive to bring them here.

— Mas voce os visita umas duas vezes por ano ao menos?

— No sir, too expensive to travel there.

— Perai, voce esta ha dois anos sem ver seus filhos e esposa?

— Yes, sir. But I send them money, sir. Every month.

— E quando voce volta para la?

— I don’t know sir, I thought I would rapidly build some savings, but it is too expensive here, sir.

E se o filho ficar com febre mais do que tres dias? E se a mae dele sofrer um AVC? E se, e se um monte de coisas…? Ele preso aqui, pela necessidade de mandar dinheiro para a familia.

Definitivamente, vale o cliché: “eh preciso por as coisas em perspectiva”.