Use o lápis !

O bom e velho lápis afeta o que rabisca o escrevinhador?

carloseduardogoncalves

15 Agosto 2014 | 07h51

Vou usando o lápis, isso mesmo, ele, o esquecido, preterido, abandonado lápis. Os erros eu os risco, e anoto as mudanças, os complementos das frases, um outro adjetivo, etc, na diagonal de uma gaivota inclinada, um “v” com as bordas abauladas. Tem feiura nisso? Talvez, mas tem também algo de poético num rascunho de verdade, impossível no teclado. A mão, é verdade, treme no início, e a caligrafia é infantil e pode até mesmo infantilizar as ideias que dela vão brotando. Mas acredite: ela vai se firmando com o tempo – já está melhorando, garanto a vocês, nesse instante mesmo ela está melhor do que no começo –, ganhando contornos seguros e gerando uma espécie de prazer visual, físico. E o mais curioso: as ideias seguem nessa mesma trilha evolutiva, crescem em lucidez e autoconfiança à medida que o traçado se embeleza.

Não, claro que não basta escrever a lápis para se escrever bem, para parir-se uma boa ideia (como é difícil ter uma ideia!). Mas, como no caso do cirurgião judoca, ajuda.